Os mediadores do conflito entre Estados Unidos e Irã, Paquistão e Catar, anunciaram um “progresso encorajador” após debates entre as nações, que duraram cerca de 18 horas. As negociações iniciadas no último domingo (21) estão ocorrendo na Suíça.
Apesar das declarações, a delegação iraniana deixou o local de discussão nesta segunda-feira (22) logo após a finalização das reuniões quádruplas. Os pontos principais de impasses para o cessar-fogo entre os países são: o programa nuclear iraniano e a trégua entre Israel e Hezbollah, no Líbano.
Na rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, incitou, novamente, ataques ao Irã caso o país não “controlasse o seu representante”, o Hezbollah, por estarem causando problemas. Em resposta, o presidente do parlamento iraniano, Mohamad Bagher Ghalibaf, afirmou em redes sociais que os EUA devem ser cuidadosos ao direcionar ameaças, pois as forças iranianas estão prontas para agir.
Estreito de Ormuz
O Memorando de Entendimento propõe que o Estreito de Ormuz se mantenha aberto durante os 60 dias de negociações entre os países. No entanto, com a continuidade dos ataques entre Israel e Líbano, o Irã anunciou, no sábado (20), o fechamento da passagem.
Os EUA, por outro lado, declararam que o estreito continua em operação. Em reportagem, a BBC afirma que alguns navios continuam a realizar a passagem, de acordo com dados de localizadores geográficos.
Cessar-fogo entre Israel e Líbano
Um dos principais impasses nas negociações entre Irã e EUA é o fim dos atritos entre Israel e Líbano. Um cessar-fogo entre os países foi assinado na última sexta-feira (19); no entanto, Israel realizou um ataque aéreo ao Líbano no dia seguinte, contabilizando cerca de 16 mortos, de acordo com a Defesa Civil libanesa.
Segundo as Forças Armadas de Israel, o ataque foi uma resposta aos projéteis atirados contra soldados israelenses durante a noite pelo Hezbollah. O grupo armado não assumiu a autoria dos disparos.
As negociações na Suíça tomaram rumo imediato ao caso. Para tal, foi instaurada uma “célula de desconflito” para garantir que o acordo de cessar-fogo entre as nações ocorra com prioridade.
A questão do programa nuclear iraniano
Com os conflitos entre Israel e Líbano, a questão do programa nuclear iraniano foi deixada para depois. Até o momento, apenas promessas iranianas de não desenvolver armamento nuclear foram reiteradas, apesar de o presidente Masoud Pezeshkian afirmar, no último domingo, que o país possui direito de enriquecer urânio e não desistirá de cumpri-lo.
Segundo o vice-presidente dos EUA, JD Vance, a delegação iraniana permitiu a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para a verificação do programa nuclear do país persa. Conforme os mediadores do conflito, os países concordaram com um “roteiro para o acordo final“, com o objetivo de ser alcançado em 60 dias.
Os países não querem retomar o conflito armado, diz especialista
Em entrevista ao O Brasilianista, o coordenador da pós-graduação de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) e membro do Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (OPEB), Giorgio Romano Schutte, comentou que as negociações devem se sustentar. Isso, pois os países não querem retornar ao conflito armado.
Em sua análise, o especialista aborda que, mesmo com a imprevisibilidade do tratado, não há vantagens aos países caso o acordo não seja assinado. Assim, as eleições de meio-termo nos EUA devem impulsionar o presidente Trump a solucionar a guerra, enquanto a liderança iraniana entende que não há possibilidade de retomada dos ataques, dado a situação econômica do país.

