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Economia

Quem controla a mídia mundial?

Aquisições bilionárias ampliam o alcance dos grandes conglomerados

Quem controla a mídia mundial?

A compra da Roku pela Fox Corporation por US$ 22 bilhões e a aprovação da aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount em uma operação avaliada em US$ 110 bilhões reforçam uma tendência que vem transformando o setor de comunicação nas últimas décadas, a concentração cada vez maior dos meios de produção, distribuição e monetização de conteúdo nas mãos de poucos grupos globais.

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Mais do que controlar emissoras de televisão, os grandes conglomerados passaram a reunir plataformas de streaming, estúdios de cinema, direitos esportivos, serviços digitais, redes de publicidade e sistemas de distribuição de conteúdo.

O resultado é a formação de empresas com presença simultânea em praticamente todas as etapas da cadeia de mídia e entretenimento.

A nova corrida pelo controle do streaming

A fusão da Fox cria um grupo com acesso direto a mais de 100 milhões de lares nos Estados Unidos e posiciona a nova companhia entre as maiores do mercado de televisão e streaming do país.

Além do conteúdo, a Fox passa a controlar dados de audiência, publicidade digital e distribuição de vídeo em larga escala.

A movimentação reflete uma mudança estrutural do setor. Os brasileiros utilizam em média 8,9 plataformas de streaming por mês. O crescimento do consumo por TVs conectadas também impulsiona a disputa entre empresas por escala, tecnologia e audiência.

O mercado brasileiro de streaming deverá atingir mais de R$ 30 bilhões até 2028, com cerca de 85 milhões de assinaturas. O avanço do setor tem levado empresas tradicionais de mídia a buscar novas formas de crescimento, especialmente por meio de aquisições e integração de serviços.

Paramount e Warner criam novo gigante global

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aprovou a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance. O negócio, avaliado em US$ 110 bilhões, ainda depende de outras aprovações regulatórias, mas já é considerado uma das maiores operações da história do entretenimento.

A operação reunirá sob um mesmo grupo ativos como HBO, CNN, CBS, Paramount Pictures e diversos canais de televisão e streaming. A empresa argumenta que a fusão permitirá competir com gigantes digitais que ganharam espaço nos últimos anos.

O novo conglomerado também passará a controlar marcas como TNT, MTV, Nickelodeon e grandes franquias cinematográficas. A estratégia é ganhar escala, reduzir custos e fortalecer a disputa por assinantes em um mercado cada vez mais fragmentado.

A Paramount destaca em seu perfil corporativo que já atua simultaneamente em televisão aberta, canais pagos, estúdios de produção, serviços de streaming pagos e gratuitos e plataformas digitais. A empresa opera marcas como CBS, Paramount+, Pluto TV, MTV, Comedy Central, Nickelodeon e Paramount Pictures.

Disney e Netflix ampliaram impérios além da televisão

A transformação do setor não começou agora. A Disney se consolidou como um dos maiores conglomerados de mídia do planeta após uma série de aquisições realizadas nas últimas décadas.

Segundo dados divulgados pela própria companhia, a empresa emprega cerca de 160 mil pessoas e investiu mais de US$ 23 bilhões em produção de conteúdo audiovisual desde 2017.

Além dos estúdios e canais de TV, o grupo atua em streaming, esportes, parques temáticos, turismo, licenciamento de produtos e experiências digitais.

O avanço das plataformas digitais também permitiu o surgimento de novos gigantes. A Netflix já investiu mais de US$ 135 bilhões em filmes e séries ao longo de sua trajetória e mantém parcerias com mais de 2 mil produtoras ao redor do mundo.

A empresa deixou de ser apenas um serviço de streaming para se tornar uma das maiores financiadoras globais da produção audiovisual.

O investimento contínuo em conteúdo próprio tornou a companhia uma concorrente direta dos estúdios tradicionais de Hollywood.

Dados e tecnologia se tornam ativos estratégicos

A aquisição de empresas digitais passou a ser uma estratégia utilizada para ampliar o controle sobre dados, inteligência artificial e plataformas tecnológicas. O fenômeno é apontado como uma das principais razões para o crescimento da concentração econômica no setor de mídia.

Além do conteúdo, os conglomerados buscam controlar informações sobre comportamento dos consumidores, hábitos de consumo e publicidade direcionada.

Dados passaram a ser considerados ativos estratégicos para aumentar receitas e fortalecer modelos de negócio baseados em anúncios e assinaturas.

A tendência também aparece no mercado publicitário. O World Out of Home Congress, grupo de comunicação têm intensificado processos de fusões e aquisições para oferecer soluções integradas de mídia, tecnologia, inteligência de dados e publicidade.

Debate sobre concentração ganha força

A expansão dos conglomerados reacendeu discussões sobre pluralidade informativa e diversidade de vozes. A concentração da propriedade da mídia pode limitar o debate público ao concentrar poder econômico, político e cultural em poucos grupos empresariais.

Interesses econômicos, religiosos e políticos frequentemente se cruzam com a estrutura de propriedade dos meios de comunicação, influenciando agendas editoriais e a circulação de informações.

A propriedade cruzada, quando um mesmo grupo controla televisão, rádio, jornais e plataformas digitais, como um dos fatores que ampliam a influência de conglomerados sobre a formação da opinião pública.

Apesar da redução no número total de negócios em 2025, o movimento de consolidação permanece ativo. As operações de fusões e aquisições continuam concentradas em plataformas digitais, streaming, música, conteúdo e tecnologia.

O cenário indica que a disputa pelo controle da atenção do público continuará impulsionando aquisições bilionárias nos próximos anos.

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