O relator do Caso Master, André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou durante o julgamento que manteve a prisão preventiva do pai e do primo de Daniel Vorcaro que o advogado de uma das defesas apresentou uma proposta de “delação seletiva”.
Segundo Mendonça, que está na relatoria do caso desde fevereiro de 2026 — substituindo Dias Toffoli, que deixou o caso após muita pressão pública e nos bastidores de Brasília —, a ideia era evitar desgastes à Corte com uma colaboração premiada poupando ministros do STF.
No julgamento de Henrique e Felipe Vorcaro, Mendonça afirmou que a detenção de ambos não tem ligação com os seus vínculos familiares, mas sim com a continuidade de condutas que mostrariam atuação de ambos no esquema investigado, conforme apurou O Brasilianista. O voto do relator foi acompanhado por Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
O ministro Gilmar Mendesdivergiu do entendimento do relator, votando a favor da transferência para medidas cautelares, com prisão domiciliar. Além disso, o magistrado levantou a possibilidade de a prisão preventiva estar sendo utilizada como artifício para uma delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tática utilizada na Operação Lava Jato.
Pronunciamento sobre delação premiada
Após a repercussão em alguns veículos de que Mendonça já havia avisado aos advogados de Daniel Vorcaro sobre a rejeição da sua primeira delação premiada, o gabinete do magistrado emitiu uma nota sobre o assunto. Nela, segundo apurou O Brasilianista, o relator afirmou que ainda não havia acessado o material, que foi entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Leia, na íntegra, a nota do ministro André Mendonça:
“O ministro tem sido consistente e inequívoco em sua posição sobre o tema da colaboração premiada:
(i) a colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado;
(ii) para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva; e
(iii) as investigações devem seguir seu curso regular, independentemente da existência ou não de proposta de colaboração.
Cabe esclarecer, ainda, que o ministro, até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa do caso Master à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.
Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento”.
Com a segunda delação premiada negada de Vorcaro, o ministro reflete a possibilidade da manutenção da prisão do ex-banqueiro na Superintendência da PF, visando uma terceira tentativa de colaboração. Conforme apuração de O Brasilianista, a integridade física do investigado e evitar o contato entre Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, são outros pontos levados em consideração pelo relator.
Ampliação do acesso da PF aos materiais do Caso Master
De acordo com apuração de O Brasilianista, o magistrado ampliou o acesso da PF aos documentos do Caso Master. A medida foi efetuada visando aumentar a autonomia dos investigadores e alterando procedimentos do processo.
A decisão do relator de autorizar mais agentes da corporação aos materiais se deu após a PF informar ao Supremo que um investigador levaria cerca de 20 semanas em dedicação exclusiva para analisar todos os exames de extração.

