A Operação Compliance Zero investiga as possíveis fraudes bancárias realizadas pelo Banco Master. Atualmente em sua nona deflagração, porém, a Polícia Federal (PF) apontou diversos nomes próximos ao ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, durante a investigação. A corporação realizou 18 mandados de busca e apreensão em sua fase mais recente.
Na última deflagração da PF, o senador da República e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), foi um dos alvos de investigação. Segundo detalhamento da PF, o parlamentar recebe suspeitas de recebimento de vantagens econômicas indevidas.
Em reportagem do Estadão, mensagens inéditas analisadas citam Wagner como intermediário entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e Vorcaro.
Em conversa com funcionário do Master, Fernando Mascarenhas Filho, o Mascarenhas afirma para Vorcaro a proximidade do Master com o governo federal, assim como “os irmãos Batista”, pelo qual o ex-banqueiro responde que isso seria “marketing para eles”. O ex-dono do banco solicita o envio da mensagem para Lula e a base aliada. Após, Filho afirma que enviaria para “tio Guiga e Jaques”, referindo-se ao publicitário Guilherme Henrique Sodré Martins e ao senador, segundo a PF.
Quais nomes estão associados ao Vorcaro?
Segundo apurou O Brasilianista, há 22 nomes que poderiam fazer aparição na delação premiada de Daniel Vorcaro. Dentre esses, há parlamentares, magistrados e agentes do executivo. Relembre, a seguir, quem são e quais são suas relações com o ex-banqueiro.
Setor Financeiro – Associados ao Banco Master
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB): também negociando a própria delação, a relação entre Costa e Vorcaro permitiu que o BRB cobrisse os rombos do Banco Master.
- Augusto Lima, ex-CEO do Master: alvo da primeira e da última deflagração, Lima é apontado como o criador do Credcesta, cartão que permite a servidores públicos contratarem créditos consignados.
- André Esteves, banqueiro ligado ao BTG Pactual: o empresário foi citado em mensagens por Vorcaro como o responsável pela derrocada do Master. Além disso, o BTG é alvo de investigação judicial por oferecerem títulos podres vendidos pelo Master.
Judiciário
- Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): primeiro relator do Caso Master, Toffoli foi alvejado por conta de operação no Resort Tayatá, empreendimento de sua família que recebeu figuras da elite brasileira, como André Esteves.
- Alexandre de Moraes, ministro do STF: a PF encontrou mensagens do banqueiro ao ministro, inclusive antes de ser preso em 2025. A corporação afirma que não há registro de respostas do magistrado.
- Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa de Alexandre de Moraes: a advogada possui contrato de prestação de serviços jurídicos ao Master, avaliado em algumas centenas de milhões.
Distrito Federal
- Ibaneis Rocha, ex-governador do DF: mencionado, também, em possível delação de Paulo Henrique Costa, o ex-governador do DF já se encontrou com Vorcaro, apesar de negar irregularidades na tentativa de aquisição do Master pelo BRB.
- Celina Leão, governadora em exercício: também citada por Costa em tentativa de delação, Leão nega ter participado de irregularidades.
Política nacional
- ACM Neto, secretário-geral do União Brasil: o político afirmou ter relações com Vorcaro. Além disso, a PF averigua pagamentos de R$ 3,6 milhões por consultoria prestada ao Master.
- Antônio Rueda, presidente do União Brasil: o presidente da legenda possui conexões com outros nomes associados a Vorcaro, como a indicação de Deivis Marcon Antunes para a presidência do Rioprevidência.
- Bianca Medeiros, ligada a Hugo Motta (cunhada): recebeu empréstimo de R$ 22 milhões de Vorcaro em março de 2024.
- Ciro Nogueira, senador e presidente do PP: o parlamentar foi citado nas duas delações de Vorcaro. Na segunda, o ex-banqueiro aponta que seus pagamentos mensais realizados ao senador eram destinados à defesa dos interesses do Master no Congresso.
- Cláudio Castro, ex-governador do RJ: alvo da operação, o ex-governador é investigado por desvio de fundos da Rioprevidência.
- Davi Alcolumbre, senador, presidente do Senado: presente na segunda delação de Vorcaro, o ex-banqueiro cita pagamento de US$ 30 milhões ao parlamentar por meio de conta internacional.
- Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência: indicado por Rueda como presidente da Rioprevidência, Deivis foi acusado de aportar R$ 970 milhões no Master sem estudo prévio.
- Flávia Peres (ex-Flávia Arruda), ex-deputada / figura política ligada ao grupo: a ex-deputada é próxima de Ciro Nogueira e, após casamento com Augusto Lima, ampliou a rede de contatos de Vorcaro.
- Hugo Motta, presidente da Câmara: é citado no Caso Master pelo empréstimo realizado para a cunhada e pela apresentação de Emenda Parlamentar em projeto sobre crédito de carbono, que injetaria de R$ 7 bilhões a R$ 9 bilhões em mercado visado pelo Master.
- Jaques Wagner, senador e líder do governo no Senado: alvo da última deflagração da operação, a PF encontrou cerca de US$ 49 mil em espécie em endereço ligado ao parlamentar.
- Michel Temer, ex-presidente da República: padrinho político de Ibaneis Rocha, Temer foi citado em reportagem como quem apresentou o Master para investidores estrangeiros.
- Paulinho da Força, deputado federal: juntamente com Ciro Nogueira, foi um dos únicos a defender a permanência do ministro Dias Toffoli na relatoria do Caso Master.
- Ratinho Júnior, governador do PR: sua decisão de se afastar da corrida eleitoral para a presidência acendeu alertas em Brasília para a possibilidade de ser alvejado com o Caso Master.
- Rui Costa, ministro da Casa Civil, ex-governador da Bahia: liderança do PT na Bahia, na segunda delação de Vorcaro, Costa foi apontado como uma figura relevante para o impulsionamento de seus negócios no estado.

