A Polícia Federal (PF) descobriu mais um caso de fraude de operação financeira. Desta vez, a investigação envolve a compra da empresa Infrasolar Holding Ltda., do grupo ForGreen, criada em 2019.
Segundo a apuração, aproximadamente R$ 132,9 milhões foram adquiridos pelo BTG Pactual em apenas 18 dias de existência, em abril deste ano. Esse dinheiro, afirma a PF, ocorreu por meio do uso de notas comerciais adquiridas pelo banco.
O Bnews noticiou nesta terça-feira, 26, que o caso foi levado pela PF ao Supremo Tribunal Federal (STF). A empresa citada possui um capital social no valor de apenas R$ 1 mil, o que levantou as suspeitas durante a investigação
Infrasolar e a compra do BRGD
O caso reacende o envolvimento de Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi preso durante as primeiras investigações. Ele foi apontado como mais uma peça integrante do núcleo de operações do fluxo financeiro investigado e revelado pela Operação Compliance Zero.
Segundo apuração do Valor Econômico, a empresa BRGD, de Felipe Vorcaro, que prestava serviços de energia solar, tinha uma dívida com o Banco BTG Pactual.
Para resolver o problema, o BTG transferiu um crédito para uma nova empresa: a Infrasolar, que passou a dever ao banco. Depois, a empresa teria até um ano para quitar a dívida.
Capital Social de R$ 1 mil
No STF, a situação ganhou repercussão após o ministro André Mendonça, relator do caso, manter a prisão de Felipe Vorcaro em maio deste ano.
Mendonça destacou que, apesar de a Infrasolar possuir apenas R$ 1 mil de capital social, a empresa movimentava grandes valores e sustentava um sistema financeiro complexo, envolvendo fundos de investimento e empresas ligadas ao grupo investigado.
O julgamento, retomado neste mês após o pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, comunicou a continuidade da prisão preventiva do pai e do primo de Vorcaro em 16 de junho.
A Segunda Turma, por maioria, decretou a manutenção da prisão para preservar as investigações da PF. Em complemento ao voto, Mendonça afirmou que os fatos apresentados extrapolam práticas de estruturas financeiras tradicionais.
BTG na mira da Polícia Federal
O Brasilianista publicou matéria mostrando que o envolvimento do BTG Pactual nas investigações da Polícia Federal não é recente.
Felipe Vorcaro, em conversa com o ex-banqueiro em uma das situações, mencionou o aumento dos pagamentos para parceiros da BRGD, mas cobrou do primo que parte do fluxo financeiro estava “indo praticamente todo para o BTG” e que precisava aportar valores altos mensalmente.
Vorcaro, que estava fora do país, pediu ao primo que resolvesse a questão. O operador financeiro do Banco Master controlava valores para favorecer determinados nomes ligados à teia de Vorcaro. Entre os citados, o levantamento aponta a participação do senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Partido Progressistas, que recebia repasses mensais entre R$ 300 mil a R$ 500 mil.
O ex-banqueiro também chegou a realizar uma negociação financeira envolvendo a venda de títulos do banco para o BTG, mas os negócios não prosperaram.

