O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 37% das intenções de voto contra 34% do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um cenário de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026, segundo pesquisa do Instituto Gerp divulgada nesta quarta-feira (24).
Com margem de erro de 2,19 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Os dados foram divulgados pelo BNews e mostram uma disputa concentrada entre os dois principais polos políticos do país.
Polarização domina o cenário eleitoral
O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 15 e 20 de junho e identificou ampla distância entre os dois primeiros colocados e os demais concorrentes.
Ronaldo Caiado aparece com 4%, enquanto Romeu Zema e Renan Santos registram 3% cada. Os demais nomes citados somam 1% individualmente.
O cenário espontâneo também aponta equilíbrio. Lula registra 31% das citações, contra 29% de Flávio Bolsonaro. O dado chama atenção porque mede a lembrança espontânea do eleitorado, sem apresentação prévia dos candidatos.
Os números reforçam uma tendência observada em diferentes levantamentos divulgados ao longo dos últimos meses, a eleição caminha para uma disputa fortemente polarizada entre o campo político liderado por Lula e o grupo associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que pode influenciar a disputa até outubro
De acordo com reportagem do O Brasilianista, os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master continuam sendo observados com atenção por integrantes do governo e da oposição.
O nome de Flávio Bolsonaro apareceu em discussões relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que teria envolvido negociações com investidores ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A preocupação nos bastidores decorre do fato de que uma eventual delação de Vorcaro pode atingir diferentes grupos políticos, sem distinção ideológica. O conteúdo completo das negociações e os possíveis desdobramentos das investigações ainda não são conhecidos.
Fundos públicos estaduais, operações financeiras e relações entre integrantes do mercado e da política ampliaram o alcance do escândalo, criando um ambiente de incerteza sobre quais lideranças poderão ser mencionadas futuramente nas apurações.
Política externa também pode entrar no debate
O resultado da eleição também poderá influenciar a forma como o Brasil se posicionará internacionalmente nos próximos anos. Segundo O Brasilianista, especialistas avaliam que o país deve manter sua condição de potência média e economia emergente, mas o comportamento diplomático poderá variar conforme o vencedor da disputa presidencial.
A professora de Direito Internacional Francielle Vieira Oliveira afirmou ao O Brasilianista que o principal impacto não está na posição estrutural do Brasil no sistema internacional, mas na forma como o governo escolhido atuará dentro dele.
Dependendo da orientação política do próximo presidente, podem ocorrer mudanças na construção de alianças e nas prioridades diplomáticas.
Na mesma linha, o professor Ricardo Caichiolo avaliou ao O Brasilianista que a tendência é de manutenção das relações internacionais atuais, embora com ajustes estratégicos que podem alterar o grau de aproximação com determinados parceiros globais.
Relação com os Estados Unidos pode mudar
Como O Brasilianista mostrou, uma eventual vitória de Lula poderia manter o atual padrão de relacionamento com os Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump, marcado por cooperação econômica limitada e divergências em temas políticos e estratégicos.
Setores como tecnologia, sistema financeiro, etanol e siderurgia podem continuar no centro das discussões comerciais entre os dois países.
Também existe debate sobre possíveis pressões americanas envolvendo organizações criminosas brasileiras e mecanismos de pagamento como o Pix.
Flávio Bolsonaro é visto por analistas como uma liderança mais alinhada ao campo político de Trump, fator que poderia alterar parte da dinâmica diplomática entre Brasília e Washington em caso de mudança de governo.
Congresso também será tema da campanha
Outro assunto que tende a ganhar espaço durante a eleição é a relação entre Executivo e Legislativo. Conforme informou O Brasilianista, uma pesquisa Datafolha apontou que 70% dos brasileiros enxergam mais confronto do que colaboração entre Lula e o Congresso Nacional.
O debate envolve o crescimento do poder parlamentar sobre o orçamento federal por meio das emendas parlamentares, das chamadas emendas Pix e dos mecanismos que ampliaram a influência do Legislativo sobre a execução de recursos públicos.
Para o jurista Lenio Streck, ouvido pelo O Brasilianista, o fortalecimento do Congresso alterou o equilíbrio originalmente previsto pela Constituição de 1988 e passou a produzir novos conflitos institucionais entre os Poderes.
A pesquisa do Instituto Gerp foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09657/2026 e apresenta nível de confiança de 95%.

