A melhora da infraestrutura digital no Brasil pode produzir impactos que vão muito além da velocidade da internet. Na avaliação de economistas ouvidos pelo O Brasilianista, o avanço da conectividade representa um dos principais fatores para elevar a competitividade das empresas, estimular investimentos, ampliar a produtividade e reduzir desigualdades regionais.
A discussão ganhou força após a divulgação da análise do Índice Brasileiro de Conectividade (IBC) 2025, publicada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O levantamento mostra evolução dos indicadores de infraestrutura digital em grande parte dos municípios brasileiros e reforça o papel estratégico da conectividade para o desenvolvimento econômico.
Para o economista Marcelo Gonçalves do Valle, professor do UniProcessus, o acesso à conectividade amplia a circulação de informações, aproxima consumidores e fornecedores e cria novas oportunidades de geração de emprego e renda. “A melhoria da conectividade oferece inúmeras possibilidades de desenvolvimento econômico, facilitando a circulação de informações, serviços e pessoas. Isso estimula maior integração entre mercados, aumenta a produtividade das empresas e cria oportunidades de desenvolvimento regional, inclusive em localidades que antes tinham dificuldade de inserção comercial”, afirma.
O economista Adhemar Mineiro complementa essa avaliação e compara a infraestrutura digital às grandes obras estruturantes do passado. “Hoje a infraestrutura de conectividade é tão importante para a economia quanto foram, em outras épocas, a oferta de energia elétrica e os sistemas de transporte. Ela reduz custos de transação, facilita a circulação de informações, aumenta o acesso aos mercados e amplia a capacidade de inovação das empresas”, destaca.
Empresas ganham competitividade
Na avaliação dos especialistas, uma infraestrutura digital mais eficiente permite que empresas reduzam custos operacionais e ampliem sua presença em novos mercados.
Segundo Marcelo Gonçalves do Valle, a maior integração entre fornecedores e consumidores reduz despesas logísticas e aumenta a eficiência produtiva, tornando as empresas brasileiras mais competitivas.
Adhemar Mineiro acrescenta que a transformação digital também acelera a adoção de tecnologias como inteligência artificial, automação industrial e análise de dados. Segundo ele, essas ferramentas permitem respostas mais rápidas às mudanças do mercado, melhor relacionamento com clientes e fornecedores e maior capacidade de competir tanto no Brasil quanto no exterior.
Pequenos negócios podem ser os maiores beneficiados
Embora grandes empresas também sejam favorecidas, os economistas avaliam que micro, pequenas e médias empresas podem sentir os efeitos da conectividade de maneira ainda mais intensa.
Marcelo Gonçalves explica que essas empresas tradicionalmente enfrentam dificuldades para competir com grandes grupos devido às economias de escala e aos custos logísticos. A expansão da infraestrutura digital, segundo ele, amplia o acesso ao comércio eletrônico e aos marketplaces.
Adhemar Mineiro vai além e afirma que a conectividade reduz barreiras de entrada em diversos mercados.”As pequenas empresas talvez sejam justamente as maiores beneficiadas, porque conseguem acessar consumidores que antes estavam fora do seu alcance, reduzindo parte das diferenças em relação às grandes companhias”, observa.
Desenvolvimento regional
Outro ponto destacado pelos especialistas é a capacidade da conectividade de reduzir desigualdades entre diferentes regiões do país.
Marcelo Gonçalves afirma que municípios menores passam a ter melhores condições para inserir seus produtos em mercados nacionais e internacionais, além de ampliar o acesso da população à educação, saúde e serviços públicos.
Na mesma linha, Adhemar Mineiro ressalta que o próprio Índice Brasileiro de Conectividade passou a incorporar indicadores específicos sobre conectividade rural.
Segundo ele, a expansão da infraestrutura digital pode tornar municípios menores mais atrativos para novos investimentos, fortalecer o comércio local e melhorar a eficiência da administração pública.
Desafios permanecem
Apesar dos avanços, ambos os economistas alertam que ainda existem obstáculos importantes.
Marcelo Gonçalves cita a falta de profissionais qualificados em tecnologia da informação, problemas relacionados à proteção de dados, diferenças de infraestrutura entre regiões e resistência cultural à transformação digital em parte do setor público.
Já Adhemar Mineiro destaca que a cobertura da internet ainda apresenta falhas em áreas rurais e remotas, além das diferenças de qualidade de conexão observadas até mesmo dentro das grandes cidades. Ele também menciona os elevados custos dos equipamentos, a necessidade de maior inclusão digital e problemas estruturais no fornecimento de energia elétrica.
Para os especialistas, o avanço da conectividade dependerá não apenas da expansão das redes de telecomunicações, mas também da integração entre políticas públicas voltadas à educação, inovação, desenvolvimento regional e qualificação profissional. Segundo eles, a combinação desses fatores poderá transformar a infraestrutura digital em um dos principais motores do crescimento econômico sustentável nos próximos anos.

