Nesta terça-feira (07), Márcio Canella (União Brasil) foi um dos alvos da sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela polícia federal para investigar um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos do Rio de Janeiro.
Márcio Corrêa de Oliveira, o Canella, foi vereador, vice-prefeito, deputado estadual e prefeito de Belford Roxo. Conforme dados do TSE, em 2024, ele venceu as eleições para prefeitura com mais de 62% dos votos válidos, ainda no primeiro turno, algo em torno de 155 mil votos.
Porém, em abril deste ano, Canella renunciou ao cargo da prefeitura visando uma oportunidade no Legislativo, mais especificamente no Senado Federal, conforme apontou o g1.
Canella foi preso em flagrante hoje após ser encontrado um fuzil 556 no carro dele durante os mandados de busca, como noticiou o UOL.
A presença no Rio de Janeiro e ligação com Flávio
Canella é pré-candidato do União Brasil nas eleições de 2026. À frente do Diretório do Rio de Janeiro do partido, o representante de direita é uma aposta do também pré-candidato, mas à presidência, deste ano, Flávio Bolsonaro (PL).
O aliado de Flávio se consolidou politicamente na região da Baixada Fluminense e é uma peça estratégica da campanha do pré-candidato do PL à Presidência.
Márcio tem muitos votos na região, influência por comandar um partido importante do cenário brasileiro e relacionamento com autoridades e figuras representativas da política, a exemplo do próprio Flávio.
A parceria se tornou explícita quando o filho mais velho de Jair Bolsonaro indicou a própria mãe, Rogéria Bolsonaro, como suplente de Canella na chapa ao Senado. A estratégia começou a ser definida em fevereiro deste ano.
Na última sexta-feira (03), Canella e Flávio estiveram juntos no 3º Seminário Nacional de Comunicação do PL, reforçando a parceria na chapa. Os dois inclusive têm publicações colaborativas nas redes sociais.
Operação Unha e Carne
A sexta fase da Operação foca no esquema de lavagem de dinheiro através de uma rede de postos de combustíveis que movimentou R$ 7,6 bilhões em seis anos no Rio de Janeiro.
Foram 19 mandados de busca, incluindo Canella e o delegado Marcus Vinícius Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, todos localizados nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.
O Brasilianista mostrou que os citados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outras amputações que podem vir a ser encontradas a partir das investigações.
Outros casos em que Canella foi mencionado
O nome de Canella foi parar no Ministério Público do Rio de Janeiro por suposta ligação com grupos criminosos e uma possível interferência no Rioprevidência.
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, preso em fevereiro deste ano, foi indicado pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda, aliado de Canella.
Canella também nomeou dois milicianos condenados pela Justiça como secretários em Belford Roxo. São eles: Eduardo Araújo (PL), como secretário de Indústria e Comércio, e Fábio Brasil (MDB) para Esporte e Lazer.
Em 2018, Canella concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do RJ junto de Juracy Prudêncio, ex-PM tido como chefe de uma milícia no Rio.

