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Justiça

Entenda como nova operação contra irmãos Brazão amplia desdobramentos do caso Marielle

PF cumpriu 21 mandados de busca e apreensão e dois de prisão para investigar suspeitas de desvios de emendas destinadas a ONGs do Rio

Entenda como nova operação contra irmãos Brazão amplia desdobramentos do caso Marielle

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (09) a Operação Emendatio para investigar suspeitas de desvios de emendas parlamentares destinadas pelo ex-deputado federal Chiquinho Brazão a organizações não governamentais do Rio de Janeiro.

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O Governo Federal divulgou, que foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, além do bloqueio de R$ 100 milhões em bens por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação também alcança Domingos Brazão, irmão de Chiquinho e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

Os dois foram condenados como mandantes dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018.

A nova operação amplia as frentes de investigação relacionadas aos irmãos Brazão após as apurações do caso Marielle revelarem conexões com agentes públicos, estruturas políticas e grupos criminosos no Rio.

Ao longo dos últimos anos, o trabalho dos investigadores alcançou suspeitas de interferência em órgãos públicos, atuação de milícias e relações de poder mantidas em diferentes instituições do estado.

Emendas destinadas a organizações entram na mira da PF

Uma das entidades investigadas na Operação Emendatio é o Instituto Carioca de Atividades, que recebeu pelo menos R$ 7 milhões em emendas destinadas por Chiquinho Brazão durante seu mandato na Câmara dos Deputados.

A organização também recebeu recursos indicados por outros parlamentares.

A Polícia Federal investiga a suspeita de que parte do dinheiro destinado a entidades sem fins lucrativos tenha sido desviada por meio de pagamentos indevidos.

As apurações também alcançam a utilização de empresas intermediárias e mecanismos que teriam sido empregados para ocultar a origem e o destino dos recursos.

Chiquinho Brazão cumpre atualmente prisão domiciliar, onde foi alvo de busca e apreensão. Os agentes também realizaram buscas em uma empresa relacionada a Domingos Brazão.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Condenação revelou extensão da rede ligada ao crime

Como informou O Brasilianista, a Primeira Turma do Supremo formou maioria para responsabilizar Domingos e Chiquinho Brazão pelo planejamento dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.

O julgamento alcançou ainda outros personagens acusados de participação no crime ou de interferência nas investigações.

Entre eles estava Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, responsabilizado por corrupção passiva e por dificultar o andamento das apurações.

Os processos relacionados ao caso não terminaram com a condenação dos mandantes.

Ao menos 14 pessoas já haviam sido condenadas em diferentes etapas das investigações, que alcançaram a execução dos assassinatos, a destruição de provas e as tentativas de impedir o esclarecimento do crime.

Apuração expôs relações entre milícias e poder público

Como mostrou O Brasilianista, a Procuradoria-Geral da República (PGR) sustentou que o assassinato estava relacionado a disputas por territórios controlados por milícias na zona oeste do Rio.

A acusação descreveu atividades ilegais relacionadas à grilagem de terras, extorsões e exploração clandestina de serviços.

Segundo a PGR, a atuação política de Marielle contra grupos milicianos e em defesa de moradores de áreas vulneráveis contrariava interesses econômicos e eleitorais relacionados ao grupo investigado.

As investigações posteriores ampliaram o alcance das apurações ao identificar possíveis conexões dos irmãos Brazão com agentes públicos e suspeitas de interferência em investigações.

Relatórios policiais também descreveram relações com políticos, integrantes das forças de segurança e personagens ligados a territórios controlados por milícias.

Problemas de segurança ultrapassam operações policiais

O avanço das investigações ocorre em um estado que enfrenta há décadas a presença de organizações criminosas em estruturas territoriais, econômicas e institucionais.

A apuração do assassinato de Marielle expôs parte dessas relações e permitiu aos investigadores avançar sobre redes de influência que ultrapassavam os responsáveis diretos pela execução do crime.

Como destacou O Brasilianista, sucessivas ações das forças de segurança reduziram temporariamente a presença ostensiva de organizações criminosas em determinadas comunidades, mas não impediram a recuperação dos territórios após a retirada das tropas.

A reportagem relembrou que a intervenção federal na segurança pública do Rio, decretada em 2018, resultou em centenas de operações.

Dados do Observatório da Intervenção registraram 711 ações monitoradas e 1.375 mortes decorrentes de intervenção policial entre fevereiro e dezembro daquele ano.

O histórico de operações também levou à criação de novas estratégias de enfrentamento ao crime organizado. O Escritório Nacional Antifacção foi inaugurado no Rio com a proposta de integrar atividades de inteligência e compartilhar informações entre órgãos federais, estaduais e municipais.

Caso Marielle abriu novas frentes de investigação

O assassinato de Marielle e Anderson ocorreu em 14 de março de 2018 e permaneceu durante anos sem a identificação judicial dos responsáveis pelo planejamento do crime.

O avanço das investigações revelou uma estrutura que envolvia executores, intermediários, agentes públicos e suspeitas de interferência na apuração.

Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, executores confessos dos assassinatos, firmaram acordos de colaboração premiada e foram condenados pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

As informações reunidas ao longo do processo contribuíram para o avanço das investigações sobre os mandantes e outros integrantes da estrutura relacionada ao crime.

As apurações também identificaram suspeitas de utilização de estruturas institucionais para proteger integrantes do grupo e dificultar o trabalho dos investigadores.

Parte dessas descobertas permitiu a abertura de novas frentes sobre as atividades políticas e econômicas de personagens relacionados ao caso.

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