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Política

Além de Ibaneis, saiba quem são as outras “vítimas” do Caso Master

Ex-governador do Distrito Federal abandonou a disputa pelo Senado em meio aos desdobramentos políticos do banco de Daniel Vorcaro

Além de Ibaneis, saiba quem são as outras “vítimas” do Caso Master

O ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) anunciou nesta quarta-feira (08) que desistiu de concorrer ao Senado nas eleições de 2026, após deixar o Palácio do Buriti em março para disputar o cargo.

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O político afirmou, às vésperas de completar 55 anos, que pretende cuidar da vida pessoal e não buscará outra função eletiva neste ano.

A decisão já era dada como certa nos bastidores políticos havia cerca de dois meses.

O período final da gestão de Ibaneis foi marcado pelos desdobramentos da crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, além do desgaste na relação com a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).

A saída de Ibaneis da disputa eleitoral acrescenta um novo capítulo aos efeitos políticos do Caso Master.

As investigações e revelações relacionadas a Vorcaro alcançaram integrantes dos Três Poderes, dirigentes partidários, empresários e gestores do sistema financeiro, embora a natureza e o estágio das suspeitas sejam diferentes para cada personagem citado.

Crise atingiu Ibaneis e administração do Distrito Federal

Ibaneis aparece entre os nomes associados aos desdobramentos do Caso Master por causa das relações entre o Banco Master e o BRB.

De acordo com O Brasilianista, o ex-governador foi mencionado em informações relacionadas a uma possível delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco público, e admitiu ter se encontrado com Vorcaro, mas negou irregularidades na tentativa de aquisição da instituição financeira pelo BRB.

A crise também alcançou Celina Leão, que assumiu definitivamente o governo do Distrito Federal após a saída de Ibaneis. A governadora foi citada em informações relacionadas à tentativa de colaboração de Costa e negou participação em irregularidades envolvendo as instituições financeiras.

Paulo Henrique Costa, por sua vez, tornou-se um dos principais personagens do núcleo financeiro das investigações. Ex-presidente do BRB, ele é associado às negociações realizadas entre o banco público e a instituição comandada por Vorcaro durante o período investigado.

Operações alcançaram políticos e integrantes do Judiciário

A Operação Compliance Zero chegou à nona fase com a inclusão de novos personagens nas apurações.

Como mostrou O Brasilianista, a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na etapa mais recente e investigou suspeitas envolvendo o senador e líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), também teve o nome relacionado aos desdobramentos do caso. Primeiro relator das investigações, o magistrado passou a ser alvo de questionamentos relacionados a uma operação envolvendo o Resort Tayatá, empreendimento pertencente à família do ministro.

Outro integrante do Supremo citado nas apurações foi Alexandre de Moraes. A Polícia Federal encontrou mensagens enviadas por Vorcaro ao magistrado, inclusive antes da prisão do banqueiro, ocorrida em 2025, mas informou não haver registro de respostas do ministro.

A advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, também aparece entre os personagens relacionados ao Banco Master. Ela manteve contrato para prestação de serviços jurídicos à instituição financeira.

Relações políticas ampliaram alcance das investigações

Entre os dirigentes partidários associados a Vorcaro está o senador e presidente do Progressistas (PP), Ciro Nogueira.

O parlamentar foi citado em informações relacionadas às delações do banqueiro, incluindo alegações sobre pagamentos destinados à defesa dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também aparece entre os políticos mencionados nos relatos atribuídos a Vorcaro. As informações incluem referência a um suposto pagamento por meio de uma conta internacional.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teve o nome relacionado ao caso em razão de um empréstimo concedido a uma cunhada e da apresentação de uma emenda parlamentar em um projeto sobre o mercado de créditos de carbono, setor que estaria entre os interesses comerciais do Banco Master.

O ex-presidente Michel Temer também integra a relação de personagens associados ao banqueiro. Padrinho político de Ibaneis, Temer foi mencionado em reportagem sobre a apresentação do Banco Master a investidores estrangeiros.

Campanha de Flávio Bolsonaro sofreu mudanças

Os efeitos políticos da crise também alcançaram a pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Marcello Lopes deixou a chefia de comunicação da campanha poucos dias depois da repercussão sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme relacionado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A mudança ocorreu após a divulgação de um áudio no qual Flávio solicitava ajuda financeira a Daniel Vorcaro.

O publicitário Eduardo Fischer foi chamado para atuar como consultor e participar da reorganização da estrutura de comunicação da campanha presidencial.

A investigação sobre o financiamento da produção audiovisual também alcançou o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado Mário Frias.

Documentos citados nas apurações apresentaram informações sobre a participação dos dois no projeto e provocaram questionamentos sobre as versões inicialmente divulgadas a respeito da gestão e da origem dos recursos.

Empresários e gestores entraram no centro das apurações

No setor financeiro, Augusto Lima, ex-diretor-presidente do Banco Master, aparece entre os investigados pela Operação Compliance Zero.

Ele é apontado como responsável pela criação do Credcesta, modalidade de cartão que permite a servidores públicos contratar operações de crédito consignado.

O banqueiro André Esteves, ligado ao BTG Pactual, também foi mencionado em mensagens atribuídas a Vorcaro.

Além das referências feitas pelo ex-controlador do Master, operações relacionadas a títulos comercializados pela instituição financeira passaram a integrar disputas e investigações judiciais.

O empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, também figuram entre os personagens alcançados pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master.

As apurações ainda chegaram a gestores de fundos públicos. Deivis Marcon Antunes, ex-presidente do Rioprevidência, foi acusado de realizar aportes de R$ 970 milhões no Banco Master sem estudo prévio.

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