Nesta quarta-feira (15), o governo norte-americano decide se irá adicionar mais uma tarifa comercial ao Brasil. A taxação representaria um adicional de 25% aos produtos brasileiros, tendo como base a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
Como apontado pelo O Brasilianista, o instrumento permite aos Estados Unidos investigarem ações consideradas prejudiciais para a economia e comércio nacional, reagindo com sanções e “punições”.
A investigação contra o Brasil questiona pontos como práticas comerciais, propriedade intelectual, serviços de pagamento eletrônico, combate à corrupção, acesso ao mercado brasileiro de etanol e políticas ambientais.
Reportagem da CNN Brasil afirma que Jamieson Greer, chefe do USTR, encaminhou a Donald Trump a recomendação final de um novo tarifaço, contudo, teria também sugerido um aumento nos itens isentos da taxa.
Pressão dos EUA
Não é de hoje que o governo de Donald Trump vem apertando nossa economia. Desde abril de 2025, ele tem anunciado uma série de taxas sobre os produtos brasileiros.
A primeira, em abril do último ano, iniciou em 10%. Nos meses seguintes, taxas sobre aço e alumínio chegaram a 50%. Em julho, uma taxa adicional de 40% foi promulgada, culminando em uma alíquota de parte dos produtos brasileiros de 50%.
Em novembro, após negociações, os Estados Unidos deram uma trégua e removeram a taxa adicional. Mas em fevereiro de 2026, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos retomou a política comercial, imputando uma tarifa global de 15%. Hoje, os Estados Unidos decidem sobre mais uma taxa no valor de 25%.
Repercussão midiática
Também nesta quarta-feira (15), o jornal The Guardian fez uma análise sobre a possível nova tarifação de Trump ao Brasil e o portal foi enfático em um editorial entitulado: “Trump transforma a autonomia em uma ofensa comercial”.
Na matéria, eles defendem: “A ameaça de tarifas de Donald Trump reformula a tentativa do Brasil de proteger sua democracia como prática comercial desleal – e dá ao bolsonarismo um palco em Washington”.
Ampliação de mercado
Essa postura fez com que o Brasil mudasse sua estratégia e procurasse novos mercados. Nesse contexto, uma forte parceria precisa ser mencionada: China. Em 2026, o país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil.
No primeiro trimestre deste ano, o fluxo de comércio entre os países somou US$ 41,7 bilhões, enquanto os EUA (que ocupa a segunda posição no ranking) teve um saldo de US$ 16,9 bilhões, segundo dados da Comex.
O país também apresenta forte relação comercial com um vizinho, a Argentina, com quem apresentou fluxo comercial de US$ 6.190.222,00 nos primeiros três meses do ano. A lista ainda inclui Alemanha, Índia, México e Holanda (com valores que variam entre US$ 5.156.383.299,00 e 3.232.458.029,00).
Um estímulo global
As tarifas dos EUA não alcançaram apenas o Brasil, diversos países, incluindo potências, têm sofrido nos últimos meses com taxas determinadas por Donald Trump, diante disso e da própria globalização, a diversificação de mercado está sendo desejada e estimulada por muitos.
No início do ano, o ministro do Comércio chinês anunciou que a potência diversificaria ainda mais os mercados de exportação a fim de promover um desenvolvimento “equilibrado”. Em abril, a União Europeia se mobilizou para fechar novos acordos comerciais em resposta às tarifas de Trump.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que a diversificação de mercado era um compromisso do bloco, assim como um intercâmbio livre e aberto de bens, serviços e ideias.
Em maio, o Japão também passou a analisar a possibilidade de um acordo com o Mercosul para fortalecer o livre-comércio global.
Os resultados já podem ser sentidos
Como já citado, a China é nosso maior parceiro comercial atualmente e a relação se mostra uma via de mão dupla. Também neste ano, o país anunciou um investimento de US$ 17 bilhões em solo brasileiro, com foco em energia renovável, infraestrutura logística, tecnologia, indústria e agronegócio.
Prova que essa diversificação (não apenas com a China e mercado asiático) tem surtido efeito é que apesar desse vai e vem de tarifas norte-americanas, o Brasil pode alcançar o segundo maior superávit da balança comercial.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), repercutido pelo Estadão, no primeiro semestre de 2026, as vendas totais nacionais atingiram um patamar nunca antes alcançado e estabeleceu um recorde, totalizando US$ 184,8 bilhões.

