O governo de Donald Trump concedeu um visto de residência permanente — o famoso green card — nos Estados Unidos ao ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro.
Agora, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pode viver, trabalhar e estudar nos EUA pelo período que desejar, sem necessidade de autorização especial. Com o documento, Eduardo possui garantias semelhantes às de um cidadão norte-americano, mas sem a possibilidade de votar, por exemplo.
A concessão acontece logo após o governo Trump anunciar uma tarifa de 25% sobre as importações brasileiras, que pode chegar a 37,5% caso outra medida tributária seja imposta ao Brasil.
“Parabéns @BolsonaroSP pela obtenção da residência permanente (“Green Card”) nos EUA como indivíduo de habilidades extraordinárias. Você merece! Aqui, na Terra dos Livres, você está protegido. Seguiremos juntos lutando para que o Brasil não tenha mais exilados e para que a nosso povo também se livre do jugo deste regime. Aproveito para registrar publicamente o agradecimento ao presidente @realDonaldTrump e a todos da sua administração que tornaram isso uma possibilidade. Que venham mais novidades boas!”, escreveu Paulo Figueiredo, jornalista e amigo do ex-deputado, em suas redes sociais.
O pedido foi feito há mais de um ano, segundo o jornalista, mas Eduardo só conseguiu o documento neste mês.
A informação de que o green card veio a partir de habilidades extraordinárias não foi confirmada, mas esse tipo de visto demora, em média, um ano para ser concedido. Há três possibilidades principais desse modelo para residência permanente nos EUA:
- EB-1A: Para quem tem habilidades extraordinárias — como prêmios, publicações ou reconhecimento internacional nas áreas de ciências, artes, educação, negócios ou esportes;
- EB-1B: Para professores e pesquisadores de excelência;
- EB-1C: Para quem já trabalha em uma multinacional fora dos EUA e busca uma transferência para uma posição gerencial ou executiva nos Estados Unidos.
As ações de Eduardo contra o Brasil
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, há cerca de um mês, o ex-deputado federal pelo crime de coação no curso do processo. De acordo com o colegiado, ficou comprovado que ele atuou para interferir no julgamento da ação penal em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado por tentativa de golpe de Estado.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o então parlamentar fez declarações públicas e postagens em redes sociais em que afirmou ter colaborado para que o governo dos Estados Unidos impusesse sanções ao Brasil.
Eduardo teria ajudado a aplicar punições a autoridades brasileiras, incluindo ministros do STF, bem como medidas econômicas ao país — o caso do tarifaço. Para ele, o motivo seria uma suposta perseguição política a seu pai, que foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Na denúncia, a PGR sustenta que “são fartos os registros audiovisuais” em que Eduardo Bolsonaro verbaliza intimidações, detalha seu itinerário e revela suas articulações no país estrangeiro, com o objetivo de constranger a cúpula do Judiciário brasileiro e perturbar o curso do julgamento em que o ex-presidente foi condenado.
A PGR aponta que o réu anunciava previamente as sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, celebrava sua imposição e as designava como prenúncio de outras medidas mais severas, caso o STF não recuasse no julgamento.
Ele também teve seu mandato cassado após passar mais de um ano fora do Brasil sem justificativa. O Brasilianista mostrou que, enquanto Eduardo estiver nos Estados Unidos, a legislação brasileira não consegue alcançá-lo. Quando ele voltar ao Brasil, terá problemas com a Justiça.
A possibilidade de uma extradição é baixa e uma possível prisão dele só aconteceria caso ele retornasse ao Brasil. Fora do país desde fevereiro de 2025, ele indica que está “refugiado” nos Estados Unidos por perseguição de tribunais brasileiros.
Dificuldades no aluguel
Há um ano e quatro meses por lá, Eduardo revelou publicamente que mora de aluguel e tem dificuldade em pagar as contas. O ex-parlamentar teve o mandato cassado por faltas sem justificativa. Desde então, não indicou se trabalha de forma remunerada no país estrangeiro.
Com a revelação do financiamento do dono do Master, Daniel Vorcaro, para o filme “Dark Horse”, o filho do ex-presidente também se tornou um dos alvos da investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. É importante ressaltar que não há qualquer atitude, até o momento, que confirme que Eduardo cometeu crime relacionado à produção do filme.

