O Supremo Tribunal Federal (STF) revogou as medidas cautelares impostas a Márcio Correia de Oliveira, o Canella, ex-prefeito de Belford Roxo. A decisão do relator, ministro Alexandre de Moraes, também anulou as medidas impostas ao segurança de Canella, Antônio Gomes da Silva Neto (íntegra).
“Não subsistem fundamentos concretos aptos a justificar sua manutenção. Consequentemente, julgo prejudicado o agravo interposto”, diz o documento. A decisão também determinou a retirada dos equipamentos de monitoramento eletrônico dos investigados.
A defesa de Canella alegou que a arma apreendida durante a operação da Polícia Federal pertencia ao policial militar Antônio Gomes, que trabalhava em sua escolta, sob o comando de Alexandre Paixão da Silva. A informação foi posteriormente confirmada pelo policial à PF.
Operação Unha e Carne
No início do mês, Canella foi preso durante a sexta fase da Operação Unha e Carne. A PF investiga um esquema de organização criminosa voltado à lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
O ex-prefeito havia sido preso por porte irregular de arma. No dia da operação, a PF identificou que, no local da prisão, havia dois veículos e que, dentro de um deles, foi encontrado um fuzil calibre 5,56.
A decisão detalhou que ainda havia dúvidas levantadas pela defesa sobre a legitimidade de Alexandre Paixão para atuar como segurança e sobre a utilização da arma, mas concluiu que as informações apresentadas correspondiam aos fatos apurados.
Prisão domiciliar de Márcio Pôncio
O ministro Alexandre de Moraes também atendeu ao pedido do pastor Márcio Pôncio para cumprir prisão domiciliar. Pôncio possui uma doença grave, havendo a possibilidade de contrair alguma infecção no presídio. Por esse motivo, seguirá cumprindo prisão domiciliar.
Pôncio é investigado por lavagem de dinheiro e pagamentos envolvendo servidores públicos. O pastor da Igreja Nuvem também é dono de empresa de cigarros. A investigação aponta Pôncio como um dos possíveis responsáveis por um esquema de sonegação de impostos estimado em R$ 2 bilhões.
O Brasilianista noticiou os avanços da Operação Unha e Carne. A investigação revelou a participação de outros agentes, como o delegado Marcus Vinicius Amim e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.
A defesa de Márcio Pôncio afirma que ele não tem relação com os demais investigados, entre eles o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho e o ex-presidente da Alerj.
A PF ainda apura como esses políticos, incluindo Canella, teriam se envolvido, supostamente, com o jogo do bicho, o contrabando de cigarros e a lavagem de dinheiro. A suspeita é de que mais de R$ 7 bilhões já tenham sido lavados.
Quem é Márcio Canella?
O Brasilianista noticiou que Canella já atuou como vereador e deputado estadual no Rio de Janeiro antes de chegar ao cargo de prefeito de Belford Roxo.
O ex-prefeito renunciou ao cargo em abril para concorrer ao Senado e mantém proximidade política com o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Canella também foi citado em uma suposta interferência no Rioprevidência, que passou a ser alvo de investigação da PF sob a suspeita de encobrir fraudes bancárias envolvendo o Banco Master.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) passou a apurar se o ex-prefeito possui ligação com uma organização criminosa que teria interferido no órgão, bem como em postos de combustíveis gerenciados por laranjas.

