A Copenhagen Consultoria, empresa para a qual o escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu duas notas fiscais — posteriormente canceladas — de R$ 1,5 milhão não opera no endereço declarado à Receita Federal. Quem atua no local é a Contábil Corrêa.
A Contábil Corrêa pertence ao mesmo proprietário da Copenhagen, Rogério Lourenço Novo. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
O Metrópoles revelou que Flávio prestou assessoria jurídica à Contábil Corrêa. O senador recebeu R$ 500 mil, sem detalhar quais serviços efetivamente prestou à empresa.
Nas redes sociais, o senador afirmou que recusou trabalhar novamente com a empresa porque havia indícios de que ela teria sido utilizada pelo ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro, para efetuar pagamentos.
O Brasilianista também procurou a equipe de campanha do senador para responder aos questionamentos feitos pela reportagem, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.
Copenhagen e o Caso Banco Master
A empresa é investigada pela Polícia Federal por suposta ocultação de patrimônio na Operação Compliance Zero. Os investigados identificaram uma ampla rede de relacionamentos mantida pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e pelo ex-CEO Augusto Lima com integrantes da classe política, entre eles Flávio Bolsonaro.
A Polícia Federal também passou a investigar o fundo privado destinado ao financiamento do filme Dark Horse, produção audiovisual que pretende contar a história de vida e a trajetória política de Jair Messias Bolsonaro.
Esse desdobramento ocorreu depois que o The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro pediu a Daniel Vorcaro ajuda para financiar o fundo, no valor de R$ 61 milhões.
“Vice dos sonhos”
O senador segue, até o momento, sem definir um vice-presidente para a sua campanha. Nesta quinta-feira, 23, a federação União-PP indicou que não deve apoiar Flávio Bolsonaro, pelo menos no primeiro turno.
Uma aliança com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e com o presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), traria mais vantagens para a eleição do pré-candidato, mas os dois líderes optaram pela neutralidade.
O temor, segundo fontes do próprio União, é de que ainda haja novos escândalos envolvendo o senador do Partido Liberal (PL).
Além de ter de definir um vice, Flávio também precisa reconstruir o relacionamento com a sua madrasta, Michelle Bolsonaro, e se reaproximar do senador Ciro Nogueira.
O líder do Progressistas não recebeu apoio público, especialmente de Flávio, quando passou a ser alvo da Operação Compliance Zero e da divulgação de fatos que aproximaram sua imagem de Daniel Vorcaro. Ciro era um “entusiasta” da aliança, conforme apurou O Brasilianista com fontes do União, mas, após esse isolamento, passou a recuar.
A operação da Polícia Federal revelou a existência de grupos políticos que teriam atuado em favor dos interesses dos empresários. O Brasilianista noticiou que Ciro Nogueira tratou com Vorcaro de projetos que poderiam beneficiar investimentos do ex-banqueiro.

