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Justiça

PF mostra como era a relação entre Jaques Wagner e ex-CEO do Master

De acordo com a PF, a aproximação de Augusto Lima ocorre desde 2019, quando o ex-CEO do Master se tornou sócio de Daniel Vorcaro

PF mostra como era a relação entre Jaques Wagner e ex-CEO do Master

A Polícia Federal (PF) identificou ligações telefônicas, mensagens, troca de favores e novas informações sobre a amizade entre o ex-líder do governo e senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-CEO do Banco Master, Augusto Lima.

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De acordo com o relatório obtido, as conversas ocorreram entre novembro de 2023 e maio de 2025. Agora, elas seguem para análise do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme O Brasilianista apurou, a Operação Compliance Zero suspeita que Jaques Wagner buscava atender aos interesses da instituição bancária no Legislativo em troca de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, localizado em um bairro nobre da Bahia.

A operação teria sido realizada por meio da empresa Epítome S.A., com sede em São Paulo, do diretor Luiz Antonio Lombardi. A compra teria sido feita, segundo a PF, com recursos de fundos ligados a Augusto Lima — a REAG e o Hockenheim Fundo de Investimento.

As vantagens

A PF apura a relação de outros envolvidos em supostos pagamentos e troca de favores, com destaque para os fundos de Lima e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, além de agentes que ajudaram a adquirir o imóvel de Wagner. A investigação identificou que Jaques usufruiu de “robustos indícios de proveitos financeiros indevidos” na aquisição do apartamento Poème Horto, com a autorização de Augusto Lima.

Wagner recebeu vantagens de Augusto Lima e Daniel Vorcaro que ultrapassam R$ 60 mil, como “o uso, a título gratuito, de aeronaves pertencentes aos donos do Master, e recebimento de ingressos para show”.

O pré-candidato ao Senado foi intimado, em agosto, pela Polícia Federal para prestar depoimento a respeito das investigações da Operação Compliance Zero. O Brasilianista tentou entrar em contato com Jaques Wagner para obter esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta notícia.

Mais cedo, em entrevista à rádio BNews, o senador disse que “tenho certeza de que vou provar a minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição […]. Como diz o presidente Lula: galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo. Eu sei o que eu fiz, estou tranquilo”.

Ilha da Paixão

A relação entre Wagner e Augusto Lima iniciou-se ainda em 2019, quando Lima conversou com o senador, que, naquele período, ocupava a função de secretário de Desenvolvimento Econômico da Bahia, sobre a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e a criação da Credcesta, plataforma que oferece crédito consignado a servidores e pensionistas.

“Foi precisamente este ativo, as carteiras de crédito do Credcesta, que credenciou Augusto Lima a se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master em 2019, e que serviu como um dos instrumentos de fraudes praticadas em larga escala […], principalmente nos anos de 2024 e 2025, com desfalques ao Banco de Brasília”, conforme a PF.

Esses dados são importantes porque ajudam a compreender a proximidade entre as duas famílias: a do senador Wagner e a de Augusto Lima, envolvendo desde frequências a uma ilha e recebimento de presentes até a aquisição do imóvel.

O senador informava a Augusto Lima que havia aceitado convites para encontrá-lo. As trocas de mensagens ocorriam no grupo de WhatsApp “Família Bahia”. Wagner falou para “Guga”, como Augusto Lima era chamado, sobre uma viagem à Ilha da Paixão, imóvel do empresário.

“A gente ama vcs”

No grupo da família de Jaques, a esposa do senador, Fátima Carneiro de Mendonça, possivelmente enviou mensagens de agradecimento pelo período em que esteve na ilha, além de fotos de familiares de Augusto Lima e de sua esposa, Flávia, referentes ao fim de semana.

Na mensagem, ela escreveu: “A gente ama vcs”, o que, segundo a PF, confirma uma forte relação de amizade entre as duas famílias. Augusto Lima respondeu: “Amamos vocês!! Bj no coração”.

A análise da Polícia Federal também evidencia a proximidade entre as famílias por meio da troca de mensagens, bilhetes e presentes destinados a Augusto Lima e a Guilherme Sodré, o “Guiga”, que atuava como operador e melhor amigo de Jaques. A relação entre os dois núcleos familiares evidencia favorecimento a práticas ilícitas.

As imagens mostram mensagens da secretária de Augusto Lima indicando que o ex-CEO enviava presentes ao senador e a Guiga, como vinhos avaliados entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil (Foto: reprodução/ MJSP – POLÍCIA FEDERAL)

Outras mensagens analisadas pela investigação mostram conversas entre Daniel Bueno Vorcaro, Daniel Lopes, Augusto Lima e João Carlos Falbo Mansur, relacionadas a indícios de corrupção e lavagem de dinheiro.

Sobre a aquisição do apartamento, Augusto Lima e Wagner evitavam, ao máximo, deixar evidências nas mensagens, ligações e vídeos sobre a negociação do imóvel.

Em 2024, Wagner encaminhou a Augusto Lima o contato de um corretor de imóveis. Após uma ligação entre os dois, Wagner informou que o menor preço para aquisição do apartamento seria de R$ 2,45 milhões. O senador também encaminhou o PDF com informações sobre o empreendimento.

O filho ou filha, como consta no documento, passou a solicitar dados pessoais para a realização de uma obra no imóvel. A suspeita da investigação é que “não dispor dos dados do proprietário formal e precisar obtê-los por meio do Senador, que por sua vez os solicita a Augusto Lima, é circunstância absolutamente incompatível com uma situação regular de propriedade do imóvel”.

O Brasilianista explicou em uma reportagem sobre a aquisição do imóvel, Eduardo Sodré recebeu, em 2025, uma transferência bancária de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações, empresa que opera a Credcesta, atualmente administrada pela prima de Augusto Lima, Andrea Lima Novaes.

“Pagamentos Mansur”

A PF também investiga a possibilidade de que documentos extraídos dos telefones dos investigados contenham anotações que evidenciem outros tipos de pagamentos a empresas da família de Jaques Wagner.

Uma planilha denominada “Pagamentos Mansur” registra pagamentos destinados a Eduardo Sodré, que posteriormente deveriam ser reembolsados, possivelmente por João Carlos Falbo Mansur.

“Os pagamentos identificados na planilha teriam sido realizados nos meses de abril, junho e julho de 2024, totalizando montante superior a R$ 2,3 milhões.”

Mansur é citado nas investigações como controlador financeiro da REAG, estrutura de fundos utilizada pelos então dirigentes do Banco Master.

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