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Café Amargo

Ficaram de bem

Em meio ao clima de reencontro entre Lula e Barroso, três nomes disputam vaga no Supremo

Ficaram de bem

Ficaram de bem. O jantar de sexta-feira entre o ministro Luiz Roberto Barroso e o presidente Lula selou o reatamento de uma relação que havia azedado com a saída repentina do magistrado do Supremo Tribunal Federal — sem o tradicional aviso prévio ao chefe do Executivo. À mesa, o clima foi de descontração e de reencontro entre dois veteranos da política e do Direito.

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Os Três Mosqueteiros

Três nomes estão no tabuleiro do presidente da República. O primeiro, com vantagem clara no Senado, é o do senador Rodrigo Pacheco. O ex-presidente da Casa é visto como o nome de maior trânsito entre os senadores e foi elogiado publicamente por Gilmar Mendes — gesto raro e interpretado como sinal de aceitação pelo Supremo. O segundo é o de Bruno Dantas, ministro do TCU, dono de reconhecida capacidade técnica e articulação política. Dantas tem raízes no Senado e apoios influentes no empresariado, mas enfrenta desconfianças no entorno presidencial. O terceiro é Jorge Messias, advogado-geral da União, o preferido pessoal de Lula — muito preparado e experiente, leal, discreto e afinado com o presidente, mas dependente de uma articulação delicada com o Senado.

Nas costuras do tempo

O jantar no Alvorada foi também um recado: Barroso, agora fora da Corte, continua sendo um interlocutor importante, alguém cuja opinião pesa e cuja capacidade de articulação pode ajudar a pavimentar a escolha do próximo ministro. No Planalto, o gesto foi lido como sinal de elegância institucional — onde eventuais divergências são resolvidas com guardanapo de linho e vinho tinto.

O calor da oposição

Enquanto o governo ensaia sua harmonia, a oposição promete dar um “calor” no indicado — seja ele quem for. A estratégia é clara: criar dificuldades no Senado e desgastar o Planalto, sob o argumento de que qualquer nome escolhido teria compromisso com Lula. No horizonte, o temor é o fortalecimento da chamada “bancada governista” no STF, justamente num momento em que a Corte deverá decidir temas sensíveis ao governo e ao processo eleitoral de 2026.

A antecipação da aposentadoria de Barroso, que não estava prevista para agora, acendeu o alerta. Para a oposição, a vaga aberta antes do prazo dá a Lula uma oportunidade extra de reforçar sua influência no Supremo — e, por tabela, no tabuleiro político que se avizinha.