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Economia

Reformas elevam PIB potencial e sustentam crescimento com inflação controlada, diz estudo

Mudanças desde 2016 ajudaram o país a crescer mais sem gerar desequilíbrios econômicos, afirma Pezco

Reformas elevam PIB potencial e sustentam crescimento com inflação controlada, diz estudo

Um estudo recente da consultoria Pezco, divulgado com exclusividade ao Valor Econômico, mostrou que as reformas estruturais dos últimos nove anos (que tiveram início no governo de Michel Temer) ampliaram o PIB potencial do país, ou seja, a capacidade de crescer sem que a inflação dispare.

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Hoje, de acordo com o levantamento, essa taxa estaria próxima de 2,7% ao ano, acima dos 2% estimados pelo mercado.

Apesar de parecer apenas números, há um otimismo por trás que, depois de anos de choques econômicos, o país talvez tenha reencontrado parte de sua força de longo prazo.

O Brasil que aprendeu a crescer diferente

Frederico Turolla, sócio da Pezco, resume o que o estudo revela: “É mais otimista que o mercado, não só em relação ao futuro, mas em relação até ao passado recente”.

“Conseguimos com isso, talvez, explicar um pouco melhor a capacidade que a economia teve de crescer mais com uma pressão inflacionária relativamente limitada”, continua.

Foram 130 alterações legais e regulatórias, desde emendas constitucionais a ajustes em contratos de concessão pública. Reformas que, aos poucos, vêm desenhando um país mais competitivo.

Entre elas, mudanças em Parcerias Público-Privadas (PPPs), que agora exigem das empresas redução de custos e aumento na qualidade dos serviços para terem reajustes de tarifas. Esse novo tipo de contrato cria uma reação em cadeia: concessionárias pressionam fornecedores, fornecedores inovam, e a produtividade aumenta.

Além disso, de acordo com o estudo, parte da explicação para o equilíbrio entre crescimento econômico e preços contidos está no possível aumento do Produto Interno Bruto (PIB) potencial, que indica o quanto a economia consegue produzir sem gerar desequilíbrios.

“Imaginamos que esse deslocamento do PIB potencial viesse das reformas que se iniciaram com mais intensidade a partir de 2016”, diz Matheus Lazzari Nicola, sócio da Pezco e autor do estudo.

Outro ponto decisivo foi a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela TLP, usada pelo BNDES.

Pode parecer detalhe técnico, mas o economista Helcio Takeda, também da Pezco, explica o impacto humano disso: “Melhora a eficiência alocativa dos recursos, tanto do setor privado, quanto do público”, avaliou.

O desafio de manter o rumo

Segundo o estudo, se o país continuar mantendo o ritmo atual, o PIB pode crescer 40% na próxima década – o mesmo avanço que levou 15 anos para ser conquistado no passado.

Mas há um alerta: 40% das reformas mapeadas já sofreram algum tipo de reversão. “Se a reforma é desfeita, volta a haver atrito naquilo que foi simplificado, e talvez percamos o potencial de crescimento”, aponta Nicola.

Ou seja, o Brasil ainda caminha sobre um terreno que pode ceder, e isso inclui avanços e retrocessos políticos, disputas fiscais e crises externas.