A Cúpula de Líderes da COP30, realizada nesta quinta-feira (06) em Belém (PA), marcou o início das discussões preparatórias para a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, prevista para semana que vem.
Durante os discursos de abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o secretário-geral da ONU, António Guterres, defenderam a urgência na adoção de medidas efetivas para conter o aquecimento global e cobrar a implementação real dos compromissos firmados no Acordo de Paris.
Como relatado pelo G1, Lula afirmou que “interesses egoístas e imediatos preponderam sobre o bem comum” quando se trata de preservação ambiental, e destacou que o combate às mudanças climáticas deve estar “no centro das decisões de cada governo, de cada empresa e de cada pessoa”.
O que Lula disse
Segundo o brasileiro, a crise ambiental é também resultado das desigualdades sociais e geopolíticas, agravadas por forças extremistas que “fabricam inverdades para obter ganhos eleitorais”.
Ele ainda destacou que deve haver a criação de um “mapa do caminho” para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e reverter o desmatamento, ressaltando que é hora de “levar a sério os alertas da ciência”.
Lula também apontou que os gastos globais com guerras e rivalidades estratégicas desviam recursos que deveriam ser destinados à transição verde e à justiça climática, tema central da cúpula.
O petista também defendeu o fato de o evento estar sendo realizado na Amazônia:
“Pela primeira vez na história, uma COP do Clima terá lugar no coração da Amazônia. No imaginário global, não há símbolo maior da causa ambiental do que a floresta amazônica. Aqui correm os milhares de rios e igarapés que conformam a maior bacia hidrográfica do planeta. Aqui habitam as milhares de espécies de plantas e animais que compõem o bioma mais diverso da Terra”.
O secretário-geral da ONU
Já António Guterres, como mostrou a Agência Brasil, reforçou que “não é mais tempo de negociar, é tempo de implementar” os compromissos assumidos nas últimas décadas.
O chefe da ONU cobrou financiamento climático acessível e defendeu o plano anunciado por Brasil e Azerbaijão, o Mapa do Caminho Baku-Belém, que prevê US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para apoiar países em desenvolvimento na transição energética.
Guterres também criticou os subsídios aos combustíveis fósseis e o poder de lobby de empresas que lucram com a devastação ambiental, pedindo uma ruptura definitiva com essa dependência. “Muitos líderes globais ainda se mantêm alinhados a esses interesses”, pontuou.
Mais investimento em oceanos
Já a Enviada Especial da presidência da COP30 para Oceanos e uma das primeiras a falar, Marinez Scherer, cobrou que haja maior comprometimento de países e organizações privadas no financiamento direcionado aos oceanos.
“A economia dos oceanos chega a quase US$ 4 trilhões anualmente. Se nos mantivermos no nosso caminho atual, as regiões litorâneas arriscam perder até 20% do PIB até o final do século. Isso não é um problema de amanhã, é um perigo de hoje”, cobrou a especialista. As informações são da Agência Brasil.
Investimentos no TFFF
Ainda durante a cúpula, a Noruega anunciou um aporte de US$ 3 bilhões para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forest Forever Facility – TFFF, em inglês), iniciativa do governo brasileiro voltada à preservação das florestas tropicais, como mostrou O Brasilianista.
De acordo com a CNN, o valor será repassado ao longo de dez anos e representa o primeiro anúncio oficial feito durante o evento.
Com a contribuição norueguesa, o fundo já soma US$ 5 bilhões garantidos, incluindo aportes do Brasil e da Indonésia.

