A COP30, 30ª Conferência das Partes da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), deve iniciar, oficialmente, os debates em Belém, no Pará, na segunda-feira (10) e irá até 21 de novembro de 2025.
A conferência chegou após a “Cúpula dos Líderes” em 6 e 7 de novembro, destinada a dar o pontapé à agenda climática deste evento global.
Participação de líderes em queda
A Cúpula de Líderes da COP30, realizada em Belém nos dias 6 e 7 de novembro, contou com a presença de 57 chefes de Estado ou de governo.
Esse número representa uma queda frente à edição anterior (COP29, no Azerbaijão), em que cerca de 75 líderes participaram.
Além disso, grandes economias emissoras como os Estados Unidos, China e Índia optaram por não enviar seus chefes de Estado, em alguns casos enviando representantes de segundo escalão ou delegações reduzidas, como mostrou o Poder360.
Logística
O número de países que havia confirmado presença formal era baixo nas semanas anteriores ao evento. Por exemplo, uma reportagem apontava que apenas 47 de 196 países haviam formalizado presença.
A cidade de Belém possui uma capacidade hoteleira relativamente limitada, o que gerou especulação e preços elevados de hospedagem – o que pode desestimular a participação de delegações de países de menor renda. Segundo uma reportagem do Le Monde, alguns quartos tinham diárias de 2.000 a 4.000 euros.
E o impacto disso?
A combinação de liderança reduzida, participação desigual e desafios logísticos traz implicações importantes para o evento, apesar das apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
- Menor pressão política: Sem a presença de chefes de Estado das principais economias, o grau de ambição e negociação pode ser enfraquecido, tornando menos provável que sejam firmados compromissos vinculantes ou ambiciosos;
- Credibilidade em risco: Se grandes emissores não estiverem comprometidos, surge a questão da eficácia do processo multilateral em produzir resultados concretos, especialmente quando vários relatórios apontam que a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C está cada vez mais distante.
- Desigualdades aprofundadas: A logística e os custos implicam que países de menor renda ou com delegações menores sejam marginalizados, o que contraria os princípios de justiça climática e pode reduzir a legitimidade dos resultados da conferência;
A COP30 enfrenta duplo desafio existencial. Primeiro, provar relevância diante do esvaziamento político das grandes potências. Segundo, entregar resultados mensuráveis quando o histórico de três décadas é de promessas não cumpridas e metas sistematicamente desconsideradas.

