Às vésperas da votação do PL Antifacção, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu deixar claro que não pretende recuar um milímetro na pauta que se tornou o novo termômetro da política nacional: segurança pública. Em publicação no X, o parlamentar ampliou o tom e buscou reforçar seu protagonismo no tema.
“Segurança pública exige firmeza, mas também garantias e eficiência institucional”, escreveu. Motta anunciou que levará ao plenário o Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, classificando o projeto como “a resposta mais dura da história do Parlamento” contra as facções criminosas. A proposta endurece penas, restringe a volta dos condenados às ruas e integra bancos nacional e estaduais de dados sobre organizações criminosas, um aceno direto a governadores e forças de segurança.
A semana
O discurso inflamado vem após uma semana de tensão política. O projeto, que deveria ter sido votado na semana passada, acabou adiado para terça-feira (18). O motivo: uma romaria de governadores à Brasília pedindo mais tempo para discutir o texto. A pressão partiu de Cláudio Castro (PL-RJ), Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (União-GO). Todos pediram cautela, ajustes e um freio na pressa para evitar um texto “inconstitucional”.
Nos bastidores, o relator Guilherme Derrite (PL-SP) tenta um equilíbrio quase cirúrgico. Ele trabalha para entregar um relatório capaz de agradar governadores que enxergam na pauta uma vitrine nacional, mas que também temem o desgaste de uma aprovação açodada. O intervalo até a votação, na prática, aumenta o suspense, fortalece a pressão e mantém tudo em destaque.

