A Câmara dos Deputados aprovou, por 370 votos a 110, o texto-base do PL Antifacção, relatado por Guilherme Derrite (Progressistas-SP). A vantagem folgada não abafou o ruído político da noite nem escondeu o incômodo do governo Lula, que, mesmo após concessões negociadas com o relator, assistiu à oposição transformar a pauta em bandeira própria.
Antes da votação principal, a base governista ainda tentou adiar a discussão, mas o requerimento caiu por 335 votos a 114. A derrota antecipou o movimento que se consolidou no plenário: a Câmara assumiu o comando da agenda de segurança pública, enquanto o Planalto ficou com margem reduzida para influenciar o resultado final.
O texto cria a figura penal da facção criminosa, endurece penas e amplia instrumentos de investigação e repressão. Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Casa, classificou o projeto como “a resposta mais dura da história da Câmara contra o crime organizado”.
Nos bastidores, o PT acusou Derrite de ignorar o governo na elaboração do parecer. O PL comemorava por antecipação. O governador e Goiás, Ronaldo Caiado (Uniã), e Claudio Castro (PL), governador do Rio de Janeiro, circularam por Brasília com a confiança de quem reconhece o potencial de exposição do tema. Às portas de 2026, o PL Antifacção deixou de ser apenas um projeto: virou símbolo, teste de força e peça de campanha.

