A Operação Poço de Lobato, deflagrada pela Receita Federal para desmontar um esquema bilionário de sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, reacendeu no Congresso um debate que já vinha se arrastando: o projeto que tipifica o devedor contumaz (PL 125/22).
Nos bastidores da Câmara, o nome do deputado Domingos Sávio (PL-MG) desponta como o mais cotado para assumir a relatoria. Mas, oficialmente, o martelo ainda não foi batido. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), segue sem anunciar quem ficará responsável pelo texto.
A operação da Receita, que identificou uma movimentação de R$ 70 bilhões em apenas um ano envolvendo empresas, fundos e offshores com a finalidade de sonegar impostos, deu munição ao ministro Fernando Haddad (PT). Ele voltou a cobrar publicamente que o Congresso aprove o PL ainda neste ano, alinhando o combate à sonegação com a agenda de segurança pública.
Enquanto isso, nos corredores, a sensação é que a escolha do relator é apenas questão de tempo. A operação tornou a pauta incontornável. E, como costuma acontecer em Brasília, nada acelera tanto uma votação quanto uma crise com números bilionários.

