Entre conversas sussurradas no cafezinho do Senado, circula uma informação que, se confirmada, adiciona um novo capítulo ao manual de como operar o poder em Brasília. A versão que ganha tração entre parlamentares é a de que Davi Alcolumbre estaria disposto a cozinhar — no melhor estilo fogo baixo — a votação do indicado de Lula ao Supremo Tribunal Federal até depois das eleições.
A lógica seria simples na aparência, mas complexa na execução: se Lula vencer, Alcolumbre colocaria o nome de Jorge Messias em pauta; se Lula perder, ele simplesmente não colocaria. Na prática, o presidente da CCJ transformaria a sabatina em um instrumento de pressão política sobre o próprio Governo e sobre o futuro presidente.
O movimento, no entanto, carregaria consequências nada triviais. Significaria deixar o STF por praticamente um ano com uma cadeira vazia, em um momento de altíssima demanda institucional — e, sobretudo, colocaria o próprio indicado, o advogado-geral da União, em uma posição dramática. Messias ficaria pendurado numa espécie de limbo institucional, vulnerável a ventos políticos e humores parlamentares.
Se é verdade? Em Brasília, como sempre, a ver. Mas a mera circulação dessa hipótese já ajuda a calibrar o termômetro de tensão entre o Senado, o Executivo e o Supremo. Aqui, entretanto, vale o velho axioma: quando o silêncio é grande demais, o ruído costuma estar apenas começando.

