Às vésperas da sessão conjunta do Congresso marcada para esta quinta-feira, às 11h, a oposição ameaça obstruir por completo a votação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) como forma de pressionar pelo avanço imediato da pauta da anistia. O recado foi dado na noite desta quarta-feira (3) pelo deputado Cabo Gilberto, que afirmou que a estratégia é “parar tudo” enquanto o tema não entrar na agenda. A incógnita é se a oposição dispõe, de fato, de votos e musculatura política suficientes para sustentar essa promessa?
Do lado técnico, o trem do Orçamento segue nos trilhos. A CMO aprovou o PLDO 2026 com a regra que garante o pagamento de 65% das emendas até o início de julho do ano eleitoral, além de manter a meta fiscal de superávit de R$ 34,26 bilhões e blindar os fundos partidário e eleitoral contra contingenciamentos.
Também avançou o relatório preliminar do PLOA, que prevê um corte linear de 0,8% nas despesas discricionárias do Executivo, cerca de R$ 1,9 bilhão, para acomodar emendas.
É justamente esse choque de interesses que coloca a estratégia da oposição à prova. De um lado, o discurso de enfrentamento, impulsionado pela reação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro; de outro, a engrenagem de um Congresso que, às portas de um ano eleitoral.
Resta saber se a ameaça de “parar tudo” ficará no discurso ou se a oposição conseguirá transformar retórica em desfecho concreto.

