Publicidade
Política

Saiba o que muda com a Lei Antifacção, aprovada pelo Senado de forma unânime

Punições para integrantes e líderes de facções chegam a 60 anos

Saiba o que muda com a Lei Antifacção, aprovada pelo Senado de forma unânime

Em uma votação unânime, o Senado aprovou nesta quarta-feira (10) o novo marco de enfrentamento ao crime organizado, conhecido como Lei Antifacção. A proposta revisa profundamente as regras penais e processuais aplicadas a facções e milícias, amplia instrumentos de investigação e ainda cria um tributo específico para financiar ações de segurança pública.

Publicidade

O que muda com a nova lei?

Punições mais severas

  • Criação do tipo penal de facção criminosa, com penas entre 15 e 30 anos, dobradas para líderes, podendo chegar a 60 anos;
  • Milícias passam a ter tratamento idêntico ao de facções;
  • Agravantes adicionais (uso de explosivos, bloqueio de vias, ataques a portos e aeroportos, violência contra militares), o que pode elevar penas em abstrato acima de 100 anos;
  • Recrutamento de crianças e adolescentes, receptação associada ao crime organizado e apoio operacional passam a ser crimes específicos;
  • Condenados por crimes da Lei de Organizações Criminosas perdem o direito à visita íntima.

Regras mais rígidas no sistema prisional

  • Condenados por crimes hediondos deverão cumprir ao menos 70% da pena em regime fechado;
  • Para integrantes de facções ou milícias, o percentual sobe para 75%, podendo chegar a 85% em caso de reincidência;
  • Chefes de organizações criminosas deverão cumprir pena obrigatoriamente em presídios federais de segurança máxima;
  • Possibilidade de transferência emergencial de presos em caso de risco de motim ou ameaça a servidores.

Cide Bets

  • Criação da Cide-Bets, imposto de 15% sobre transferências de apostadores para plataformas de apostas;
  • Potencial de arrecadação de até R$ 30 bilhões ao ano;
  • Pelo menos 60% dos recursos será aplicado diretamente pelos estados para reforçar a segurança pública;
  • Operadores que atuaram sem autorização terão declaração especial de regularização, mas com punições severas se omitirem informações.

Mais ferramentas de investigação

  • Acesso mais rápido de polícias e Ministério Público a bancos de dados;
  • Novos prazos e critérios para continuidade de inquéritos;
  • Interceptações telefônicas e de mensagens poderão durar até cinco dias, com renovações;
  • Em risco iminente à vida, dados de localização e movimentações financeiras poderão ser acessados sem autorização judicial prévia;
  • Permissão para atuação de delatores infiltrados e maior proteção a agentes.

Combate às estruturas econômicas do crime

  • Bloqueio de contas, bens e empresas que prestem suporte às facções;
  • Possibilidade de intervenção judicial em empresas ligadas ao crime organizado;
  • Regras mais rígidas para o setor de combustíveis;
  • Criação de um banco nacional de dados de pessoas e empresas associadas a organizações criminosas.

O Senado retirou ainda a proposta de extinguir o júri para crimes de facção. Em vez disso, reforçou a proteção a jurados, permitiu videoconferência para réus e autorizou deslocamento de julgamentos para cidades maiores quando houver risco.

Agora o termo segue para análise da Câmara dos Deputados. As informações são do O Globo.

Fique por dentro dos Projetos de Lei. Siga O Brasilianista!