O governo dos Estados Unidos decidiu retirar a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um movimento que surpreendeu interlocutores no Brasil. A avaliação é de que a medida não tem relação direta com o andamento do PL da Dosimetria no Congresso Nacional.
A análise foi apresentada por Thiago de Aragão, CEO da Arko Advice Internacional, ao explicar que a escolha do governo de Donald Trump está ligada a interesses geopolíticos mais amplos na América do Sul. Segundo ele, a Venezuela ocupa posição central nas prioridades da Casa Branca neste momento.
De acordo com o especialista, decisões do ex-presidente norte-americano costumam seguir objetivos imediatos, que podem mudar rapidamente conforme o cenário internacional.
Venezuela no centro da estratégia americana
Ao comentar o contexto regional, Aragão afirmou: “Nessa questão específica, hoje, qualquer coisa abaixo do México, para o Trump, a única coisa que importa é a Venezuela”. Para ele, esse foco ajuda a explicar a postura adotada em relação ao Brasil.
Na avaliação do analista, o governo americano enxerga o país como peça-chave no tabuleiro diplomático sul-americano. “Ele entende que o Brasil é um personagem muito importante na questão da Venezuela, seja como alguém que pode apoiar, seja como alguém que pode não atrapalhar, seja como alguém que pode apoiar não publicamente determinadas ações”, declarou.
Surpresa até entre aliados do projeto
Segundo Aragão, o recuo dos Estados Unidos ocorreu antes mesmo da conclusão do PL da Dosimetria no Senado e de uma eventual sanção presidencial. Por isso, a medida teria causado surpresa inclusive entre parlamentares favoráveis ao projeto, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
O especialista destacou ainda que, se a retirada da Lei Magnitsky estivesse condicionada apenas à dosimetria, o gesto seria precipitado. O projeto ainda não passou por todas as etapas no Congresso brasileiro, o que enfraquece essa ligação direta.
Para o analista, o episódio evidencia que os interesses americanos na região, neste momento, estão mais concentrados na situação política da Venezuela do que em temas institucionais do Brasil.

