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Geopolítica

O que prevê acordo entre Mercosul e UE que pode ser assinado nesta semana?

O café é o segundo produto brasileiro mais vendido para a UE

O que prevê acordo entre Mercosul e UE que pode ser assinado nesta semana?

A expectativa do governo brasileiro é que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que está há 25 anos sendo negociado, seja assinado durante a Cúpula do Mercosul, marcada para o próximo sábado (20), em Foz do Iguaçu. Para que isso ocorra, países europeus ainda precisam concluir votações decisivas ao longo da semana.

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Se o tratado for confirmado, ele criará uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores e um PIB conjunto estimado em US$ 22 trilhões. As informações são do G1.

O que são Mercosul e União Europeia?

O Mercosul reúne Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, com foco na integração econômica e redução de tarifas entre os membros. Já a União Europeia é formada por 27 países, entre eles Alemanha, França, Espanha, Portugal, Itália e Polônia. O bloco funciona como um mercado integrado, com regras e políticas comerciais comuns.

Os dois blocos negociam um acordo desde 1999. A ideia central é abrir os mercados de forma equilibrada, tornando mais barato comprar e vender produtos entre as duas regiões.

Quais são os principais pontos?

O eixo central do tratado é o corte de tarifas de importação. Isso significa que produtos que hoje pagam altos impostos para entrar em outro país poderão circular com taxas reduzidas ou até zeradas.

Para o agro brasileiro, por exemplo:

  • 77% dos produtos agrícolas exportados para a UE terão tarifas eliminadas gradualmente;
  • Café solúvel, frutas, pescados e óleos vegetais ganharão competitividade;
  • Carnes bovina e de frango terão novas cotas de exportação, com tarifas menores.

Para a Europa, haverá vantagem na venda de:

  • Carros e peças automotivas;
  • Máquinas;
  • Produtos químicos;
  • Queijos, vinhos e outros alimentos processados.

A União Europeia já é o segundo maior destino do agronegócio brasileiro. Com o acordo, setores como café, proteína animal e frutas poderão ampliar vendas.

Exemplos: o café solúvel, que hoje paga taxa de até 9%, ficará isento em 4 anos. O Mercosul poderá exportar 99 mil toneladas de carne bovina com tarifa de 7,5%, bem abaixo dos valores atuais. No caso do frango, a cota conjunta chegará a 180 mil toneladas com tarifa zero.

O tratado facilita entrada de empresas europeias no Mercosul e pode atrair investimentos para:

  • Indústria de alimentos;
  • Energia limpa;
  • Infraestrutura;
  • Tecnologia e inovação.

A UE discute a inclusão de normas ambientais e sanitárias mais rígidas. Uma delas determina que o Mercosul adote padrões de produção similares aos exigidos pelos europeus, o que gera preocupação no Brasil.

O que muda?

  • Exportações do agro ficam mais competitivas na Europa;
  • Indústrias brasileiras podem ampliar produção de itens com valor agregado;
  • Novos investimentos europeus podem chegar, especialmente em tecnologia e infraestrutura;
  • O país reduz dependência de mercados que sofreram tensões, como EUA e China.

Para o Mercosul

Países menores, como Paraguai e Uruguai, ganham acesso ampliado a mercados de alto poder de compra. Há maior oportunidade de industrialização regional.

Para a União Europeia

Ganha espaço para vender produtos de alto valor agregado (carros, máquinas, medicamentos). Diminui dependência da China em minerais estratégicos. Consegue reforçar presença econômica em uma região politicamente estável.

Por que a decisão pode travar na Europa?

O Parlamento Europeu deve votar nesta terça-feira (16) medidas de proteção ao agro europeu, etapa necessária antes de o tratado seguir para o Conselho Europeu. E no Conselho estão os principais entraves. França e Polônia lideram as objeções, argumentando que:

  • Agricultores locais perderiam espaço para produtos mais baratos do Mercosul;
  • Acordo poderia enfraquecer a produção interna de carnes e grãos;
  • Bélgica e Áustria também demonstram resistência.

Já Alemanha, Espanha, Portugal e República Tcheca querem a aprovação.

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