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Economia

Novo El Niño pode afetar negócios; saiba como reduzir os prejuízos

Eventos extremos podem comprometer a operação de empresas em diferentes regiões do país

Novo El Niño pode afetar negócios; saiba como reduzir os prejuízos

A possibilidade de novos episódios de El Niño nos próximos anos amplia a preocupação das empresas com os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre suas operações.

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Chuvas intensas, secas e ondas de calor podem atingir a infraestrutura elétrica, interromper atividades econômicas e provocar prejuízos para negócios de diferentes setores.

Em entrevista a O Brasilianista, a Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) explicou que os impactos ainda dependem da intensidade dos eventos associados ao fenômeno.

“Não podemos prever ainda quais serão os impactos porque ainda não temos clareza da intensidade dos eventos climáticos que teremos em decorrência do fenômeno.”

A exposição das empresas aos eventos extremos também varia conforme a região do país.

Enquanto chuvas intensas representam um risco maior para as redes de distribuição em determinados estados, a combinação entre seca e altas temperaturas pode provocar problemas diferentes em outras localidades.

Eventos extremos ameaçam infraestrutura dos negócios

A Abradee explica que as regiões Sul e Sudeste podem enfrentar chuvas mais intensas, capazes de provocar quedas de árvores e outros objetos sobre a rede elétrica.

As ocorrências podem danificar equipamentos e interromper o fornecimento de energia para residências e estabelecimentos comerciais.

“No Norte e Nordeste, a seca combinada ao forte calor pode causar problemas de outra ordem, como queimadas, que também provocam danos aos equipamentos elétricos e consequentemente interrupção do serviço.”

Para os negócios, a falta de energia pode provocar consequências que ultrapassam a suspensão temporária das atividades.

Empresas dependentes de refrigeração, máquinas, sistemas eletrônicos e vendas digitais podem enfrentar perda de produtos, paralisação da produção e redução do faturamento.

Setor elétrico ampliou preparação para crises

Apesar dos riscos provocados pela maior frequência de eventos climáticos extremos, a Abradee avalia que o segmento de distribuição de energia avançou na capacidade de enfrentar ocorrências severas.

“O segmento de distribuição de energia está mais preparado do que em episódios anteriores, porque o setor avançou em planejamento operacional, monitoramento, automação, protocolos de contingência e capacidade de mobilização em campo. As distribuidoras hoje operam com mais inteligência de rede, maior integração de dados e rotinas mais estruturadas para resposta a eventos severos.”

O aumento dos investimentos acompanhou as mudanças na preparação do setor. Em 2021, as distribuidoras aplicavam cerca de R$ 18 bilhões por ano na infraestrutura.

No ano passado, o volume chegou a R$ 41 bilhões destinados à expansão e à modernização das redes de distribuição.

A automação também passou a ter papel importante na resposta às ocorrências. Em determinadas situações, a tecnologia permite isolar trechos atingidos e acelerar o restabelecimento do fornecimento para parte dos consumidores.

Impactos podem chegar aos custos das empresas

Os efeitos de um novo El Niño não ficam restritos ao fornecimento de energia. Agropecuária, abastecimento de água, seguros e varejo de alimentos também estão entre as atividades econômicas expostas às mudanças climáticas provocadas pelo fenômeno.

Edson Grandisoli, um dos criadores do Movimento Escolas pelo Clima e diretor educacional da Reconectta, explica que as consequências podem variar entre as regiões brasileiras.

O especialista é biólogo, mestre em Ecologia, doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutor pelo Instituto de Estudos Avançados da instituição.

“Pode-se citar a agropecuária, energia, abastecimento de água, seguros e varejo de alimentos, por exemplo. No Brasil, o El Niño costuma provocar maior risco de seca em áreas do Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste/Sudeste, e aumento de chuvas no Sul.”

Para as empresas, problemas nesses setores podem provocar aumento dos custos de produção e dificuldades logísticas.

Uma quebra de safra, por exemplo, pode reduzir a oferta de matérias-primas, enquanto problemas no transporte e no abastecimento de energia podem comprometer diferentes etapas da atividade econômica.

Grandisoli acrescenta que a pressão sobre os preços pode atingir inicialmente os alimentos e avançar para outras despesas dos negócios.

“Na inflação, os efeitos tendem a aparecer primeiro nos alimentos e, em seguida, em energia, transporte e seguros.”

Empresas precisam antecipar riscos operacionais

A preparação para eventos extremos também exige medidas dentro das próprias empresas. A identificação dos pontos mais vulneráveis da operação pode reduzir prejuízos provocados por interrupções inesperadas.

Grandisoli recomenda que os negócios avaliem a dependência de fornecedores.

“Empresas devem mapear dependências críticas de água, energia, transporte, fornecedores e seguros; revisar planos de contingência; proteger estoques e instalações; criar alternativas logísticas; e acompanhar alertas oficiais.”

No caso dos pequenos empreendedores, os riscos podem ser maiores quando a empresa não dispõe de recursos financeiros suficientes para enfrentar períodos de paralisação.

“Pequenos empreendedores podem proteger equipamentos e documentos, evitar estoques excessivos em áreas sujeitas a alagamento, revisar contratos de seguro, planejar caixa para interrupções e criar canais digitais de venda”, orienta Grandisoli.

Investimentos buscam tornar redes mais resistentes

Para a Abradee, o aumento da resiliência da infraestrutura elétrica deve permanecer entre as prioridades diante da intensificação dos eventos climáticos extremos.

“Pelo ângulo da distribuição de energia, a prioridade deve ser construir um ambiente que permita ao setor aumentar a resiliência frente aos novos desafios climáticos. É por isso que o segmento tem aumentado os seus investimentos, principalmente em tecnologia e modernização das infraestruturas.”

A entidade também defende avanços no ambiente regulatório para considerar as características e a magnitude de cada evento climático.

Entre as medidas apontadas está o reconhecimento, em prazos menores, dos investimentos realizados para tornar as redes mais resistentes.

A preparação das distribuidoras inclui ainda planos de contingência elaborados a partir das experiências acumuladas durante ocorrências anteriores.

Para a associação, ampliar a capacidade de resposta dependerá da continuidade dos investimentos destinados à infraestrutura. Em 2025, as distribuidoras destinaram R$ 41 bilhões à expansão e à modernização das redes, mais que o dobro dos aproximadamente R$ 18 bilhões investidos em 2021.

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