A paralisação nacional dos trabalhadores da Petrobras provoca perdas financeiras relevantes logo na primeira semana. Estimativas indicam impacto diário próximo de R$ 200 milhões, resultado direto da queda na produção e no refino, em meio ao impasse entre a empresa e os sindicatos.
Desde o início do movimento, na última segunda-feira, a produção acumulou redução estimada em cerca de 300 mil barris de petróleo e gás. Os dados foram calculados a partir de informações das próprias unidades operacionais e analisados por técnicos do Dieese, segundo o InfoMoney.
A retração atinge áreas estratégicas da companhia. Na exploração e produção, a diminuição equivale a aproximadamente US$ 18 milhões por dia, valor próximo de R$ 100 milhões. Já no refino, as perdas giram em torno de R$ 90 milhões diários.
Efeitos financeiros vão além dos números iniciais
A soma desses efeitos já compromete o desempenho financeiro da estatal, mesmo sem considerar impactos indiretos em atividades de logística, transporte e biocombustíveis. Analistas avaliam que a paralisação reduziu a capacidade da empresa de sustentar o ritmo normal de operação.
Apesar de os números oficiais da Agência Nacional do Petróleo serem divulgados com atraso, levantamentos preliminares indicam que as medidas adotadas para mitigar a greve não foram suficientes para preservar o fluxo de produção. Técnicos apontam que a perda diária se traduz em redução imediata de receita.
Para o economista Cloviomar Cararine, do Dieese, os efeitos da paralisação são evidentes e não se limitam a ajustes pontuais. “Em quase duas décadas acompanhando a categoria, nunca presenciei uma mobilização tão rápida, coesa e expressiva diante de um chamado sindical”, afirmou.
Distanciamento entre gestão e trabalhadores sustenta o impasse
Na avaliação de dirigentes sindicais, a ausência de negociação efetiva ampliou o conflito. O coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense e diretor da Federação Única dos Petroleiros, Sérgio Borges, afirma que não houve avanço no diálogo com a direção da companhia.
“A Petrobras escolheu não negociar. Não há proposta concreta e não há disposição de diálogo. Nessas condições, a greve tende a se prolongar, além de Natal e Ano Novo, porque a categoria está unida e disposta a sustentar o movimento pelo tempo que for necessário. E, se depender da categoria, temos muito gás e energia para continuar por tempo indeterminado”, disse.
Segundo Borges, a condução do processo transfere o custo do impasse para a própria empresa. “A empresa prefere perder milhões por dia a sentar para negociar. Essa postura é irresponsável e empurra a greve para um cenário cada vez mais longo e mais duro”, completou.
Cararine destaca ainda o descompasso entre o prejuízo diário e o valor das reivindicações. A proposta apresentada pela empresa prevê reajuste de 0,5%, com impacto estimado em cerca de R$ 85 milhões ao ano. “Em um único dia de greve, a empresa perde mais do que o dobro desse valor”, finalizou.

