O Brasil manteve a posição de maior produtor de café do planeta, mas enfrentou um recuo expressivo nas exportações ao longo de 2025.
Entre janeiro e dezembro, foram enviadas ao exterior pouco mais de 40 milhões de sacas de 60 quilos, somando todas as variedades do produto.
O volume ficou 20,8% abaixo do registrado no ano anterior, em um cenário marcado por eventos climáticos que comprometeram a colheita e elevaram custos no campo.
Mesmo com menos sacas embarcadas, o faturamento alcançou patamar histórico. A explicação está na valorização do café no mercado internacional, pressionada pela menor oferta global. As informações são do portal G1.
Estados Unidos perdem protagonismo no comércio do grão
O mercado norte-americano sofreu impacto direto das tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao café brasileiro, especialmente ao produto solúvel.
Como resultado, as vendas para o país caíram 33,9% em 2025. A retração foi suficiente para retirar os EUA da liderança entre os compradores do café nacional.
Como divulgado pelo O Brasilianista, as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos em julho de 2025 atingiram de forma mais intensa os cafés especiais brasileiros.
O aumento de 50% nos impostos de importação provocou uma queda próxima de 70% no envio desses produtos para a América do Norte.
Dados de entidades do setor indicam que, apenas a partir de agosto, o volume mensal de cafés diferenciados exportados aos norte-americanos despencou em relação ao mesmo período de 2024, afetando produtores focados em nichos de maior valor agregado.
Diante das barreiras impostas pelos Estados Unidos, o café brasileiro buscou outros mercados. Países europeus ganharam relevância, com destaque para a Alemanha e a Itália.
O café arábica respondeu pela maior parte das vendas de produtos especiais, enquanto o conilon e o café solúvel mantiveram participação menor no total exportado.
Essa redistribuição ajudou a reduzir parte das perdas provocadas pelas sanções tarifárias, ainda que não tenha compensado integralmente a retração em volume.
A Alemanha assumiu o primeiro lugar no ranking, apesar de também reduzir suas importações em 28,7%, reflexo da desaceleração do consumo e do ajuste de estoques no mercado europeu.
Compradores que seguiram na contramão
De acordo com o G1, apenas três países entre os dez maiores importadores ampliaram as compras do café brasileiro no período analisado: Japão, Turquia e China. Cada um deles apresentou motivações distintas para elevar a demanda.
O Japão ocupou a quarta posição no ranking em 2025, com mais de 2,6 milhões de sacas adquiridas. O avanço de 19,4% em relação ao ano anterior ocorreu após um período de estoques elevados, que havia reduzido temporariamente as compras do produto brasileiro.
A Turquia, sexta maior compradora, registrou crescimento mais moderado, de 3,26%. Parte do volume importado atendeu ao consumo interno, enquanto outra parcela foi direcionada à revenda para países vizinhos, especialmente regiões afetadas por conflitos.
China acelera consumo e mira café brasileiro
China reforçou a tendência de diversificação de hábitos de consumo. Tradicionalmente associada ao chá, a população jovem do país tem incorporado o café ao cotidiano urbano.
Em 2025, as importações do grão brasileiro cresceram 19,49%, alcançando cerca de 1,1 milhão de sacas.
O país asiático já figura entre os dez maiores importadores do produto e prioriza o café arábica, variedade em que o Brasil é referência mundial.
Especialistas do setor avaliam que o consumo chinês ainda está em estágio inicial, com potencial de expansão ao longo da próxima década.
Acordo Mercosul-União Europeia cria novas condições para o café brasileiro
Como informado pelo O Brasilianista, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia tende a alterar de forma gradual o acesso do café brasileiro ao mercado europeu, hoje um dos mais exigentes e com maior poder de compra do mundo.
O tratado não elimina tarifas de forma imediata, mas define um cronograma de redução que traz previsibilidade para produtores, exportadores e indústrias.
Segundo o UOL, no caso do café verde, do café torrado e do café solúvel, as alíquotas atualmente cobradas pelos países europeus variam entre 7,5% e 11%. Pelo acordo, esses impostos serão retirados de maneira progressiva, em um prazo estimado entre quatro e sete anos, dependendo do tipo de produto.
A mudança tende a reduzir custos ao longo do tempo e aumentar a competitividade do café brasileiro frente a outros fornecedores globais.
O texto do acordo também estabelece regras de origem. Para que o café se beneficie das tarifas reduzidas, será necessário comprovar que ao menos 40% do café verde tenha origem brasileira.
No caso do café solúvel, a exigência varia entre 40% e 50% de insumos nacionais. Essas regras buscam garantir que o benefício comercial esteja diretamente ligado à produção do país exportador.

