A expectativa de um pedido de urgência no Congresso passou a ser um grande vetor político para destravar o acordo entre Mercosul e União Europeia. O governo decidiu pressionar por velocidade e quer transformar a tramitação legislativa em um sinal claro aos países europeus ainda resistentes ao tratado.
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal, afirmou que há uma expectativa concreta de avanço rápido, sustentada pela articulação do Executivo junto ao Legislativo. Segundo ele, o Palácio do Planalto atua para acelerar o processo e criar um ambiente político favorável à internalização do acordo no Brasil.
O rito
O primeiro passo será dado na Câmara dos Deputados. Trad destacou que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve conversar com líderes partidários sobre a possibilidade de tramitação em regime de urgência. A sinalização, se confirmada, reduziria prazos e concentraria a discussão no Plenário, encurtando um caminho que, pelo rito tradicional, poderia se arrastar por meses.
A estratégia do governo vai além do calendário doméstico. O senador frisou que existe uma intenção clara de acelerar a tramitação nos países do Mercosul como forma de aumentar a pressão política sobre governos europeus contrários ao acordo. A leitura é de que o cenário político internacional é volátil e que determinados momentos oferecem mais abertura para avanços, janelas que não podem ser desperdiçadas.
Já a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, Trad reiterou que o papel dos parlamentos se torna central. A embaixadora concordou, ao afirmar que o diálogo entre parlamentares costuma gerar mais abertura do que negociações estritamente governamentais. “Parlamentares são ouvidos mais entre parlamentares”, resumiu.

