O pedido para investigar suspeitas envolvendo o Banco Master ainda não resultou na criação de uma comissão no Legislativo federal.
Embora parlamentares tenham reunido assinaturas acima do mínimo exigido, a instalação do colegiado depende de decisões dos presidentes das Casas.
Na Câmara dos Deputados, o requerimento apresentado por Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) superou o patamar de 171 assinaturas, alcançando 200 apoios.
Mesmo assim, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que a solicitação seguirá a ordem cronológica de pedidos já protocolados.
Há, pelo menos, 15 requerimentos à frente. O regimento estabelece que apenas cinco comissões dessa natureza podem funcionar simultaneamente.
Deputados que defendem a investigação já admitem que uma comissão exclusiva da Câmara dificilmente será instalada no curto prazo. As informações são do portal G1.
O peso do calendário político
Além da fila formal, lideranças reconhecem que o ano eleitoral reduz o apetite por temas que exijam longas sessões, oitivas e produção de relatórios.
Parte dos congressistas avalia que o assunto pode perder força até depois do Carnaval. Líderes partidários relatam incerteza sobre a disposição das presidências em levar adiante a pauta.
O entendimento entre defensores do requerimento é que a alternativa mais viável seria uma comissão mista, reunindo deputados e senadores, por iniciativa do presidente do Congresso.
Comissão mista depende de leitura em plenário
O pedido para uma CPMI já reúne 278 assinaturas, sendo 236 deputados e 42 senadores, acima do mínimo constitucional.
Para que a comissão passe a existir, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), precisa fazer a leitura do requerimento em sessão conjunta.
Interlocutores próximos à presidência do Senado avaliam que essa leitura não deve ocorrer no momento. Enquanto isso, outras estruturas do Parlamento avançam por caminhos paralelos.
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado criou uma subcomissão para acompanhar as apurações relacionadas ao caso.
O grupo não possui poderes para determinar quebras de sigilo, mas pode requisitar documentos e dialogar com autoridades envolvidas nas investigações.
O que diz a decisão do STF sobre CPIs?
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento de que a criação de comissões de inquérito é um direito da minoria parlamentar quando três requisitos são cumpridos: assinaturas de um terço dos membros, definição de fato determinado e prazo certo.
Apesar disso, a organização da pauta e a leitura dos pedidos continuam sob responsabilidade das mesas diretoras. Esse ponto é citado por deputados que defendem a instalação imediata do colegiado.
As suspeitas que motivam os pedidos
O foco dos requerimentos são operações financeiras atribuídas ao Banco Master que teriam afetado aposentados e pensionistas por meio de crédito consignado e títulos sem lastro.
As suspeitas envolvem vendas de carteiras problemáticas e movimentações que teriam gerado prejuízos bilionários. O banco foi alvo de liquidação extrajudicial determinada pela autoridade monetária no fim de 2025.
Parlamentares afirmam que a apuração legislativa poderia esclarecer responsabilidades, ouvir envolvidos e sugerir mudanças legais para evitar novos episódios semelhantes.
O que falta para a comissão sair do papel?
Para que a investigação parlamentar comece, é necessária uma decisão política das presidências das Casas.
No caso da Câmara, seria preciso vencer a fila de requerimentos. No Congresso, depende da leitura do pedido em sessão conjunta.
Enquanto isso, investigações policiais e técnicas seguem em curso fora do Parlamento, e o tema permanece na agenda de lideranças que defendem esclarecimentos públicos sobre as operações atribuídas ao banco.
Visitas ao Banco Central e liquidação
Como divulgado pelo O Brasilianista, o banqueiro Daniel Vorcaro esteve 17 vezes na sede do Banco Central em 2025, somando mais de 34 horas em reuniões.
Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação indicam passagens por setores ligados à supervisão, fiscalização e governança.
Em abril, ele se reuniu com o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, em encontros que se estenderam além do tempo previsto.
Em julho, permaneceu por mais de oito horas no prédio, com compromissos no gabinete da presidência e em departamentos técnicos.
A última visita ocorreu em outubro. Dois meses depois, a liquidação extrajudicial foi decretada por irregularidades relacionadas a carteiras de crédito e outras operações.
À Polícia Federal, o empresário declarou que não recebeu qualquer aviso prévio sobre a medida e avaliou que a decisão trouxe impactos ao mercado financeiro.
Subcomissão do Senado e limites de atuação
A estrutura criada na Comissão de Assuntos Econômicos funciona como um canal de acompanhamento institucional.
Senadores afirmam que o grupo pretende solicitar dados sigilosos às autoridades responsáveis pelas apurações.
O colegiado, no entanto, não substitui uma comissão parlamentar de inquérito, pois não possui instrumentos como convocação coercitiva, quebra de sigilo bancário ou fiscal e tomada de depoimentos sob compromisso legal.

