As principais confederações empresariais do Brasil se mobilizam para reagir às propostas que tratam do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lidera a articulação de um manifesto conjunto e estima que as mudanças podem gerar impacto próximo de R$ 180 bilhões ao setor produtivo.
A entidade busca reunir outras organizações representativas de diferentes setores da economia para apresentar uma posição unificada. Entre elas estão a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e a Confederação Nacional do Transporte (CNT).
A iniciativa ocorre em meio ao avanço das propostas no Legislativo e às preocupações de empresários sobre possíveis efeitos nos custos das empresas, na geração de empregos e no cenário econômico do país. Segundo a CNN Brasil, representantes da indústria, do agronegócio, da construção civil e do setor de transportes se reuniram nesta quarta-feira (11) no Instituto Pensar Agro (IPA) para avaliar os impactos das medidas.
Reunião avalia efeitos das propostas em discussão
O encontro teve como objetivo analisar as consequências das mudanças na jornada de trabalho para diferentes segmentos da economia. A expectativa das entidades é consolidar um posicionamento comum antes da divulgação do manifesto, prevista para depois do feriado de Carnaval.
A CNI aponta que a alteração nas regras trabalhistas pode gerar aumento expressivo nos custos das empresas e afetar a atividade produtiva. A estimativa de impacto financeiro reforça a preocupação do setor com possíveis reflexos no crescimento econômico e na competitividade do país.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o debate não se limita a ser favorável ou contrário ao fim da escala 6×1, mas se concentra na avaliação do momento em que a proposta está sendo discutida. “[Questionamos] a pertinência do momento para um oportunismo eleitoral, em detrimento da real situação do Brasil”, disse.
Segundo ele, a análise envolve diversos fatores estruturais que, na visão das entidades empresariais, devem ser considerados antes de mudanças mais amplas na legislação trabalhista.
Setor empresarial cita riscos para emprego e inflação
Entre os pontos mencionados pelo dirigente estão a falta de profissionais disponíveis no mercado de trabalho e a baixa produtividade registrada ao longo das últimas décadas. Ele também destacou a perda de competitividade dos produtos brasileiros no cenário internacional, além de desafios relacionados ao déficit público e à eficiência do serviço público.
Outro aspecto considerado relevante é o impacto sobre micro, pequenas e médias empresas, que concentram grande parte das contratações no país. Na avaliação do presidente da CNI, essas empresas teriam mais dificuldades para absorver ou repassar o aumento de custos decorrente das mudanças.
“A maior parte da mão de obra é absorvida pelas micro/pequenas e médias empresas, que terão muitas dificuldades de repassar custos, consequentemente prejudicando a economia e o emprego”, disse Alban.
De acordo com a Revista Oeste, o dirigente afirmou ainda que o possível aumento de despesas para o setor produtivo pode levar ao reajuste de preços de produtos e serviços, com reflexos diretos no poder de compra da população.
Para ele, esse cenário pode resultar em pressões inflacionárias e afetar o desempenho econômico. “Estamos levantando todas as causas e efeitos para podermos nos posicionar em conjunto”, acrescentou.
A articulação das confederações ocorre enquanto o Congresso discute mudanças nas regras de jornada de trabalho, tema que envolve interesses de trabalhadores e empregadores e pode gerar impactos amplos no funcionamento do mercado e da economia brasileira.

