Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, é dele a caneta que define quando e em que temperatura será realizada a sabatina do indicado ao Supremo Tribunal Federal.
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal tornou-se mais do que uma escolha jurídica: virou teste de articulação política. A mensagem presidencial ainda “esfria” na mesa do presidente Lula (PT), depois de uma tentativa frustrada de resolver o tema em dezembro. Agora, a expectativa se desloca para março.
O tempo como instrumento político
É aí que o senador baiano entra em cena. Cabe ao presidente da CCJ marcar a sabatina. Não é um detalhe protocolar, é estratégia. Ao sinalizar que o cenário deve clarear depois do Carnaval, Otto Alencar transmite duas mensagens simultâneas, evita atropelos e ganha tempo para medir o humor do plenário.
A aprovação exige maioria simples, 41 votos. Parece um número modesto, mas em um Senado fragmentado e em ano pré-eleitoral, cada voto é um ativo negociado com cuidado. O governo trabalha com a leitura de que há hoje maior aceitação ao nome de Messias do que havia no fim do ano passado. Ainda assim, não há margem para erro.
A sombra de um outro nome
Parte da resistência inicial se explicava pela existência de um plano alternativo, o senador Rodrigo Pacheco, bem avaliado no Congresso e visto como opção de consenso. Preferido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com trânsito consolidado no centrão, Pacheco representava uma solução menos tensionada. No Palácio do Planalto, a avaliação é que o presidente do Senado continuará a colaborar com o processo, mesmo após o aliado ser preterido.
Otto como fiel da balança
Otto Alencar tem desempenhado papel de destaque nas articulações e no processo de aprovação de indicações ao STF, consolidando-se como figura-chave dentro da CCJ e como liderança influente do PSD. Sua condução tende a ser pragmática.

