O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta segunda-feira (23), em Seul, no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, onde defendeu o fortalecimento do comércio internacional, a ampliação de parcerias econômicas e a aproximação entre empresários dos dois países.
O pronunciamento ocorreu durante a visita oficial à Coreia do Sul e teve como objetivo estimular investimentos, ampliar o intercâmbio comercial e apresentar oportunidades para o mercado brasileiro. As informações são do Governo Federal.
Integração econômica no centro do discurso
No início da fala, Lula afirmou que o papel dos governos é criar condições para que empresários ampliem negócios internacionais. Segundo ele, o comércio entre Brasil e Coreia do Sul ainda está abaixo do potencial das duas economias.
O presidente destacou que o intercâmbio comercial atual gira em torno de 11 bilhões de dólares e afirmou que esse volume pode crescer com maior aproximação entre empresas.
Durante o discurso, Lula defendeu o multilateralismo e criticou o protecionismo econômico. Ele declarou: “Quanto mais livre o comércio, melhor será para a Coreia e melhor será para o Brasil. E melhor será para o mundo.”
Além disso, afirmou que o crescimento econômico global depende da cooperação entre países e do incentivo à circulação de produtos e investimentos.
Agronegócio e exportação de proteínas entram na agenda
Lula dedicou parte do pronunciamento para apresentar números da produção agrícola brasileira. O presidente destacou o papel do país na oferta mundial de alimentos e proteínas.
Segundo ele, o Brasil possui grande capacidade produtiva e está preparado para ampliar o fornecimento de carne bovina, frango e outros produtos ao mercado coreano.
O presidente afirmou: “Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano.”
No discurso, também citou dados sobre produção de grãos e ressaltou que o país busca expandir mercados internacionais para o agronegócio.
Trabalho, produtividade e bem-estar social
Outro ponto abordado foi a transformação do mundo do trabalho. Lula mencionou o debate sobre o fim da jornada seis por um no Brasil, defendendo a ampliação do tempo de descanso semanal.
Segundo ele, o avanço tecnológico permite manter produtividade elevada sem comprometer o bem-estar dos trabalhadores.
O presidente afirmou que o diálogo entre empresários, governo e trabalhadores é fundamental para construir uma economia mais equilibrada e inclusiva.
Aprendizado com o modelo sul-coreano
Durante o discurso, Lula comparou o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul com a trajetória brasileira.
Ele destacou que o país asiático se consolidou como polo tecnológico ao apostar em políticas industriais e investimento em educação.
Segundo o presidente, o Brasil busca ampliar cooperação em áreas como semicondutores, baterias e inovação industrial.
Além disso, Lula afirmou que o país quer deixar de atuar apenas como exportador de matérias-primas e ampliar a produção de tecnologia em território nacional.
Setores estratégicos
O presidente também citou setores que podem ampliar a parceria entre os dois países. Entre eles estão saúde, indústria farmacêutica, aeroespacial e cosméticos.
Lula mencionou o laboratório de biossegurança Órion e afirmou que a cooperação com a Coreia pode resultar em desenvolvimento conjunto de vacinas e medicamentos.
Na área espacial, citou a colaboração com empresas coreanas no Centro de Lançamento de Alcântara. Também destacou oportunidades no setor de beleza, combinando biodiversidade brasileira com tecnologia coreana.
Oportunidades econômicas apresentadas no evento
Após o pronunciamento, a matéria institucional do Governo Federal informou que o fórum reuniu representantes de 230 corporações e autoridades dos dois países.
Segundo o governo, o evento serviu para apresentar oportunidades de investimento no Brasil em áreas como exportação de carne, cosméticos, fármacos, tecnologia e setor aeroespacial.
O texto também destacou que empresas coreanas já possuem presença consolidada no mercado brasileiro e que o governo busca ampliar essa participação com programas voltados à indústria e inovação.
Críticas ao protecionismo
De acordo com a CBN, Lula reforçou durante o fórum críticas ao protecionismo econômico, sem citar diretamente países.
Segundo a emissora, o presidente afirmou que barreiras comerciais dificultam o crescimento global e defendeu maior integração entre economias emergentes.
A reportagem também destacou que Lula associou a cooperação internacional à defesa da democracia. Ele declarou: “Enfrentamos novamente tentativas de golpe de Estado. Felizmente, quando colocadas à prova, nossas democracias mostraram firmeza e resiliência.”
O discurso ocorreu após a assinatura de acordos bilaterais em áreas como saúde, ciência e tecnologia, além do anúncio de iniciativas de inovação, incluindo projetos inspirados em modelos tecnológicos sul-coreanos.

