A Rússia se beneficia da desordem gerada pela guerra entre Estados Unidos e Israel e Irã, iniciada no final de fevereiro. Isso porque garantiu posição estratégica no mercado de petróleo em meio ao bloqueio de um dos principais canais de distribuição do combustível no Oriente Médio.
Segundo o InfoMoney, a Rússia passou a vender barris de petróleo com lucro de US$ 4, visto que antes o país oferecia barris com desconto de US$ 15.
Para os países que mais dependem de petróleo do que exportam, os mais prejudicados são China, Índia, Coreia do Sul e Japão.
Praticamente todo o petróleo que abastece essas nações passa pelo Estreito de Ormuz, agora bloqueado. Já a Europa enfrenta dificuldades com o gás natural.
O que é o Estreito de Ormuz e como seu bloqueio afeta a demanda de petróleo?
O Estreito de Ormuz é dominado pelo governo iraniano e uma maneira de fechar a região seria através da instalação de minas marítimas, uso de embarcações rápidas armadas, submarinos e mísseis costeiros, de acordo com a Politize!.
Isso impacta todo o comércio marítimo, além da economia mundial. Funciona assim: com a principal via de petróleo e gás natural fechada, a demanda por esses combustíveis seguiria aumentando, o que consequentemente aumenta o preço das commodities.
Além do risco do produto não chegar ao destino final, os valores pagos por petróleo seriam mais altos do que normalmente, visto que a produção de distribuição estariam comprometidas.
Em meio ao bloqueio do Estreito e ataques a territórios iranianos, foi criado um vácuo de poder e elevou o risco de um conflito prolongado no Oriente Médio, afetando não apenas bolsas internacionais, mas também a percepção sobre o real e investimentos no Brasil.
Brasil não possui exposição direta ao conflito
Apesar do cenário de instabilidade, a exposição direta do Brasil ao conflito é considerada limitada, visto que o país é exportador de petróleo bruto. Ainda que a importação de derivados seja alta, especialmente para o diesel, a participação de países do Golfo Pérsico como fornecedores é relativamente pequena.
O MME criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para analisar essa questão, que acompanha diariamente as condições do mercado nacional e internacional de combustíveis em articulação com órgãos reguladores e com os principais agentes do setor nos elos de fornecimento primário e distribuição.
Segundo o governo, o objetivo é identificar rapidamente eventuais riscos ao abastecimento e coordenar as medidas necessárias para preservar a segurança energética e a normalidade do fornecimento de combustíveis no país.
A Petrobras, empresa estatal brasileira de produção de petróleo, afirmou na última segunda-feira (2) que não há risco de interrupção das importações e exportações da commodity no momento.
Apesar do Brasil contar com extração nacional de petróleo, boa parte do combustível em formato de gasolina e outros combustíveis ainda é, em sua maior parte, importado.
Porém, em nota enviada ao CNN Money, a empresa disse que possui rotas alternativas fora da região de conflito. Dessa forma, a estatal afirma que conta com uma estratégia que “dá segurança e custos competitivos para as operações da companhia, preservando as margens”. Na prática, pode trazer alívio ao bolso dos consumidores, visto que a demanda não está completamente comprometida.
“Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas”, relata a companhia.

