Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques, votaram nesta sexta-feira (13) para manter a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. A prisão foi determinada na semana passada após as investigações do caso de fraude milionária identificarem desdobramentos de crime organizado.
Segundo o portal Migalhas, Luiz Fux e Nunes Marques seguiram o voto do relator, Mendonça, culminando na decisão pela permanência da prisão. Gilmar ainda irá votar.
Vale lembrar que o ministro Dias Toffoli, que era relator do caso e integra a 2ª turma do STF, se declarou suspeito para atuar no caso e, por esse motivo, foi afastado das investigações.
Por que Vorcaro foi preso?
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal em São Paulo, no último dia 4 de março. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e marca a terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras bilionárias.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025 após suspeitas de gestão fraudulenta. A PF estima prejuízos de até R$ 41 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com bloqueio de bens no valor de R$ 22 bilhões nesta fase.
A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) desde fevereiro de 2026, após saída de Dias Toffoli. A decisão atende pedido da PF para aprofundar provas, incluindo análise de celulares e contatos de Vorcaro.
Antes da nova prisão, Vorcaro usava tornozeleira eletrônica e cumpria medidas cautelares impostas pela Justiça após prisões anteriores em 2025.
Segundo a investigação, Daniel Vorcaro é suspeito de liderar uma uma estrutura de vigilância e coerção privada vinculada às suas empresas — chamada de “A Turma”. O grupo realizaria práticas atribuídas a uma milícia.
Em seu voto, ainda segundo o portal Migalhas, Mendonça, relator do caso, afirmou que as provas já analisadas, como registros de mensagens e movimentações financeiras, apontam atuação organizada, com características típicas de organizações criminosas.
As buscas ainda revelaram indícios de acesso indevido a sistemas sigilosos de órgãos públicos, como a Polícia Federal, Ministério Público e até mesmo a Interpol.
“A Turma” atuava na coleta de informações e monitoramento de pessoas consideradas contrárias a Vorcaro, como autoridades e jornalistas.
Uma das conversas encontradas no telefone de Vorcaro na investigação indicou que o empresário solicitou a Sicário que atacasse o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após a publicação de notícias contrárias aos seus interesses:
“Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, disse o dono do Master ao ajudante.
O que aconteceu com o Banco Master? Relembre
O caso tomou forte repercussão após a tentativa de aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), uma estatal, a fim de cobrir uma possível falência do banco privado.
No entanto, a investigação do Banco Central (BC) em relação à fraude do Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro começou ainda no ano passado. As suspeitas levaram à prisão do presidente do banco em novembro.
Segundo o Uol, Vorcaro comprou a participação no banco em 2017, assumiu o controle em 2019 e mudou o nome da instituição para Master em 2021. Desde o início da nova gestão, o banco ficou conhecido no mercado por oferecer investimentos de alto retorno — e alto risco.
A carteira de Certificados de Depósito Bancários (CDBs) da instituição subiu de R$ 2,5 bilhões para R$ 40 bilhões em seis anos. No entanto, conforme mostrou O Brasilianista, o executivo afirmou que o modelo de negócio da empresa era 100% baseado no Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Funcionava assim: o Master oferecia CDBs com retornos muito acima do mercado, o banco utilizava os aportes em investimentos de alto risco e começou a perder sua liquidez de curto prazo. Caso acontecesse algum problema com a empresa, os clientes seriam ressarcidos pelo FGC em até R$ 250 mil.
Empresas como o banco BTG tentaram comprar o Master para evitar a falência, mas os negócios não seguiram. Em análise do BTG, foi concluído que mais de 80% do dinheiro do banco de Vorcaro estava alocado em investimentos de risco.
O BC ficou de olho após as negociações do Master com o Banco de Brasília (BRB), uma estatal que aportou R$ 16,8 bilhões em carteiras de crédito na instituição privada. O banco não pagou os investidores e revendeu os ativos do BRB em 2025, recebendo cerca de R$ 12 bilhões em retorno.
Em seguida, o BRB tentou comprar mais da metade do capital social do Master para evitar uma falência, no entanto a tentativa foi recusada pelo Banco Central.
Já em novembro, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que investigava o Master por fraudes em investimentos. No mesmo dia, o Bacen realizou a liquidação extrajudicial da instituição financeira investigada.
Outras instituições financeiras ligadas ao grupo Master, como Reag e Will Bank, também foram liquidadas. É estimado que o rombo no FGC seja de quase R$ 50 bilhões, o que pode prejudicar toda a cadeia econômica dos próximos cinco anos.

