Publicidade
Justiça

PGR denúncia Bacellar, TH Joias e Macário por vazamento de informações

A Procuradoria-Geral da República acusa o trio de obstruir investigações sobre a proximidade de políticos com o Comando Vermelho

Entenda o caos eleitoral, jurídico e político vivido pelo Rio de Janeiro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou uma denúncia contra o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, o ex-deputado estadual Thomas Magalhães (TH Joias) e o desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região Macário Ramos Júdice Neto.

Publicidade

A PGR acusa o trio de obstruir investigações sobre a proximidade de políticos do Rio de Janeiro com o Comando Vermelho (CV) utilizando a influência dos cargos. A denúncia foi apresentada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), porque Macário tem prerrogativa de foro na Corte. As informações são do g1.

A investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Unha e Carne apontou indícios de que Bacellar avisou TH Joias sobre uma operação policial em setembro do ano passado. A PF cita ainda o fato de o ex-presidente da Alerj ter patrimônio incompatível com a renda declarada ao Fisco e à Justiça Eleitoral.

O relatório da PF lista a aquisição de imóveis de alto valor, como apartamentos localizados na Avenida Atlântica, em Copacabana, e uma mansão situada na região serrana do RJ. Os policiais federais apuraram que a movimentação financeira para a compra dessas propriedades não tem lastro nos ganhos oficiais de Bacellar.

Segundo a denúncia, TH Joias era operador financeiro de lideranças do CV, usando a venda de joias para lavar o dinheiro do tráfico e seu cargo na Alerj para obter informações privilegiadas sobre operações policiais e o andamento de processos no Judiciário.

O desembargador Macário Ramos Júdice Neto (foto abaixo) é apontado pela Procuradoria-Geral da República como fornecedor de informações privilegiadas relacionadas ao Judiciário e de usar o cargo para obtê-las.

Crime organizado

A apresentação da denúncia pela PGR é feita na semana seguinte à que ficou marcada pela prisão de 11 policiais no Rio de Janeiro por ligação com o crime organizado. O Brasilianistamostrou que as detenções dos agentes de segurança define o tamanho do problema a ser enfrentado no estado.

Entre 9 e 11 de março, foram presos um policial federal, três policiais civis e sete policiais militares — dois dos detidos são delegados (um federal e outro civil). As prisões resultaram da nova etapa da Missão Redentor II.

Os policiais civis são suspeitos de extorquir traficantes, o delegado federal é acusado de vazar informações e os policiais militares estão sob investigação por ligação com o crime organizado. Relatório da PF mostrou que os agentes públicos ajudavam o CV.

A PF chegou a identificar menções aos policiais em diálogos entre lideranças do CV, como Fhillip da Silva Gregório, chamado de Professor e conhecido por chefiar os crimes da organização criminosa no Complexo do Alemão, e Gabriel Dias de Oliveira, apelidado de Índio.

O monitoramento de Estações de Rádio Base (ERBs) e extratos telemáticos confirmou que os policiais presos falavam frequentemente com operadores do esquema de TH Joias e com lideranças do Comando Vermelho.