O Grupo 3corações anunciou a compra das operações da General Mills no Brasil por R$ 800 milhões, incorporando marcas tradicionais como Yoki e Kitano e ampliando sua atuação além do café.
A transação foi divulgada nesta terça-feira (17) e ainda depende de aprovação regulatória para ser concluída. As informações são do UOL.
Aquisição amplia portfólio
A operação inclui marcas consolidadas no varejo alimentar, com forte presença em categorias básicas do consumo doméstico.
Com isso, a 3corações passa a atuar de forma mais ampla no dia a dia do consumidor, indo além de bebidas e entrando com mais força em alimentos e temperos.
A estratégia está centrada na diversificação, permitindo à companhia ampliar sua presença em diferentes momentos de consumo.
Além disso, a integração dos produtos deve fortalecer a distribuição e aumentar o alcance da empresa no varejo nacional.
”Este é um passo fundamental em nosso propósito de estar cada vez mais próximos da família brasileira, fazendo-nos presentes em diferentes ocasiões de consumo”, afirmou Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações.
Venda faz multinacional reavaliar presença e concentrar atuação global
De acordo com o portal Metrópoles, a General Mills optou por vender suas operações brasileiras como parte de um movimento de reorganização internacional.
A decisão envolve também ativos industriais e logísticos, incluindo unidades produtivas e centros de distribuição no país.
De acordo com a companhia, a saída do Brasil contribui para melhorar a rentabilidade e direcionar esforços para mercados considerados estratégicos. A expectativa é que o processo seja concluído até o fim do ano, após análise dos órgãos responsáveis.
Histórico de expansão
Segundo o próprio portal do Grupo 3corações, a origem da empresa remonta a 1959, quando o empresário João Alves de Lima iniciou a comercialização de café verde no Rio Grande do Norte.
A instituição passou a ganhar escala a partir dos anos seguintes, especialmente após assumir o processamento próprio dos grãos e ampliar sua atuação regional.
Na década de 1980, a gestão foi transferida para os filhos Pedro Lima, Paulo Lima e Vicente Lima, marcando uma fase de modernização e expansão operacional.
Um dos movimentos mais relevantes ocorreu em 2005, com a joint venture entre a brasileira São Miguel e a israelense Strauss Coffee, consolidando a criação do Grupo 3corações como é conhecido hoje.
Nos anos seguintes, a companhia incorporou diversas marcas, como Kimimo, Pimpinela e Café Brasileiro, fortalecendo sua presença nacional e diversificando o portfólio.
Já em 2012, a empresa alcançou a liderança no mercado de café torrado e moído no Brasil, consolidando sua posição como principal player do setor.
Esse histórico de aquisições e crescimento estruturado ajuda a explicar a estratégia atual da companhia, que volta a apostar em expansão por meio da compra de marcas consolidadas no varejo alimentar.
Consolidação do setor impacta empresas
O Grupo 3corações chega à nova aquisição com uma operação consolidada em escala nacional e forte capilaridade no varejo.
A companhia reúne mais de 30 marcas, incluindo nomes tradicionais como 3 Corações, Santa Clara, Pimpinela, Café Brasileiro e Iguaçu, distribuídas em uma rede que alcança mais de 600 mil pontos de venda no país.
Além do café, a empresa já vinha ampliando sua atuação em outras categorias de alimentos, com produtos como o refresco em pó Frisco, o achocolatado Chocolatto e linhas de temperos e derivados de milho, como Dona Clara e Kimimo.
A estrutura operacional também chama atenção: o grupo emprega cerca de 9 mil pessoas, com presença industrial e logística relevante em diferentes regiões.
No total, são 28 centros de vendas e distribuição, além de 10 plantas fabris, que incluem 13 unidades industriais e 2 unidades voltadas ao beneficiamento de café verde, além de uma escola própria de capacitação.
Esse nível de estrutura permite à companhia integrar novas marcas com rapidez, ganhar escala e ampliar competitividade no mercado.
Para investidores e empresários, o movimento sinaliza um modelo de crescimento baseado em distribuição eficiente e diversificação de portfólio, enquanto microempreendedores ligados ao varejo podem ser impactados pela ampliação do alcance comercial da empresa.
Yoki e Kitano
De acordo com o site da Yoki, a empresa foi criada na década de 1980 pelo empresário e imigrante japonês Yoshizo Kitano, com a proposta de modernizar o consumo de alimentos no Brasil.
A marca ganhou espaço ao substituir a venda tradicional de grãos e farinhas a granel por produtos industrializados e pré-embalados, oferecendo mais praticidade e padronização ao consumidor.
Ao longo dos anos, também introduziu inovações relevantes no mercado, como a pipoca de micro-ondas e a popularização da farofa pronta, consolidando sua presença em categorias básicas da alimentação.
Com forte identidade ligada ao cotidiano do brasileiro, a Yoki ampliou seu portfólio e se tornou uma das marcas mais reconhecidas do setor, alcançando presença em cerca de 90% dos lares do país.
Em 2012, passou a integrar a multinacional norte-americana General Mills, reforçando sua estrutura industrial e distribuição.
A Kitano também tem origem na atuação do imigrante japonês Yoshizo Kitano, que iniciou o negócio com a revenda de temperos e especiarias em pequenas porções, pesadas e embaladas antes da venda, prática pouco comum no Brasil à época.
A proposta ajudou a popularizar o consumo de produtos padronizados, ampliando o interesse de consumidores e estabelecimentos comerciais.
Com o crescimento da demanda, a operação evoluiu de um armazém para uma estrutura industrial, consolidando a marca no setor de alimentos. As informações são da General Mills.

