O comércio exterior brasileiro passa por uma reconfiguração relevante, com avanço nas relações com a China e perda de competitividade nos Estados Unidos.
Em 2025, o Brasil registrou déficit de US$ 14,4 bilhões com os americanos, ao mesmo tempo em que ampliou o saldo positivo com os chineses.
A mudança reflete fatores geopolíticos, tarifas e diferenças estruturais entre as economias. As informações são do Valor Econômico.
Exportações para China ganham força com petróleo e agro
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil alcançou um novo recorde nas exportações, somando US$ 348,7 bilhões em 2025.
Dentro desse cenário, a China se consolidou como principal destino dos produtos brasileiros, com compras próximas de US$ 100 bilhões, impulsionadas por itens como soja, carne bovina, açúcar, celulose e ferro-gusa.
Ainda de acordo com a Secex, o desempenho das vendas para a China foi sustentado pelo aumento de volume e pela diversificação de produtos exportados, em um contexto de expansão de mercados internacionais.
Ao mesmo tempo, as importações brasileiras de produtos chineses cresceram, evidenciando uma relação comercial complementar: o Brasil fornece matérias-primas e recebe bens industrializados.
Esse movimento fortalece cadeias produtivas e influencia decisões de investimento, especialmente em áreas como energia, infraestrutura e indústria, além de impactar diretamente empresas exportadoras, investidores e o ambiente de negócios no país.
Importações ampliam presença chinesa na indústria brasileira
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), durante conversa oficial com o vice-presidente chinês Han Zheng, o presidente em exercício e ministro Geraldo Alckmin destacaram que a corrente de comércio bilateral cresceu 8,2%, alcançando US$ 171 bilhões no período.
O resultado reforça a posição da China como principal parceiro comercial do Brasil e evidencia a relevância estratégica dessa relação para setores como agronegócio, energia e indústria.
Ainda conforme informações do MDIC, o diálogo entre os dois países também abordou oportunidades de ampliação de investimentos em áreas como infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade.
Alckmin ressaltou a importância de manter o fluxo comercial e demonstrou preocupação com medidas que afetam exportações brasileiras, como as salvaguardas sobre carne bovina.
Para o Valor Econômico, Livio Ribeiro, ”esquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) afirmou, “Temos uma complementariedade natural de pauta com a Ásia, especialmente China, o que leva, naturalmente, a um déficit para os chineses. Nós mandamos os insumos necessários e eles mandam para nós produtos finais em quantidade cada vez maior”.
Política tarifária dos EUA pressiona exportações brasileiras
Dados do Indicador de Comércio Exterior do Icomex mostram que o cenário global ficou mais instável no início de 2026, com impacto direto nas relações entre Brasil e Estados Unidos.
Após a derrubada das tarifas baseadas na IEEPA, que chegavam a 50%, o governo americano passou a aplicar novas taxas de até 15% por um período de 150 dias, mantendo parte das restrições sobre o comércio.
Antes disso, cerca de 22% da pauta exportadora brasileira já era atingida pelas tarifas mais elevadas. A participação do Oriente Médio nas exportações brasileiras foi de 4,6%, com forte peso em setores como carne de aves (35,2%), açúcar (17,0%) e milho (16,2%).
Do lado das importações, a região respondeu por 2,6%, incluindo insumos estratégicos como fertilizantes, sendo 14,8% da ureia comprada pelo país proveniente de Omã.
No mesmo período, o desempenho comercial indicou mudança relevante entre parceiros: as exportações para os Estados Unidos caíram 19,9%, enquanto o saldo total da balança no bimestre alcançou US$ 8,0 bilhões, impulsionado principalmente pelo aumento das vendas para a China.
Mudanças no comércio impactam empresas, crédito e investimentos
Empresas exportadoras tendem a priorizar mercados com maior previsibilidade, como o asiático. Investidores acompanham o fortalecimento de setores ligados a commodities, enquanto a indústria enfrenta maior volatilidade.
Microempreendedores também são afetados, especialmente aqueles inseridos em cadeias produtivas dependentes do comércio exterior.

