A corrida presidencial de 2026 mal começou e já está polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). E é praticamente impossível que esses dois candidatos não cheguem ao segundo turno.
O colunista do O Brasilianista, Cristiano Noronha, comenta que, juntos, dependendo do instituto de pesquisa e do cenário avaliado, as duas candidaturas somam em torno de 70% a 80% dos votos. Já em relação aos demais candidatos, as opções somam em torno de 10% a 15% dos votos.
“É fato, porém, que tanto Lula quanto Flávio apresentam também índice de rejeição elevado. Mas isso não é suficiente para garantir espaço para que uma terceira via se estabilize”, afirma Noronha.
Os dados mostram uma disputa concentrada entre dois polos, cenário que costuma ocorrer quando o eleitorado se divide entre grupos políticos já consolidados. Esse tipo de configuração pode reduzir o espaço para candidaturas alternativas, embora o quadro ainda seja considerado inicial.
Flávio Bolsonaro está ganhando visibilidade, inclusive no exterior
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está ganhando mais popularidade entre os eleitores de acordo com novas pesquisas para a eleição presidencial de 2026. Mas essa não é a única atenção que o pré-candidato ao Planalto recebe.
Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado em fevereiro mostra empate técnico em cenários de primeiro e segundo turno entre o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro e o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No principal cenário estimulado, conforme mostrou O Brasilianista, quando nomes são apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 39,6% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 35,3%.
Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta 44,4% para o senador e 43,8% para o presidente. A diferença está dentro da margem de erro, caracterizando empate técnico.
Também em fevereiro, Bolsonaro saiu na capa da revista Bloomberg. Em uma reportagem que aborda as eleições de outubro, o periódico destaca que o senador faz uma “ascensão meteórica” nas pesquisas presidenciais que surpreende os céticos.
Para o filho de Jair Bolsonaro, essa visibilidade pode ser um ponto essencial para desenvolver sua campanha por aqui. Em especial, o uso da influência de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos pode levar a imagem do clã para outros países, atraindo aliados.
Lula tem eleitorado importante, mas está perdendo votos
Para Cristiano Noronha, o governo apostou em medidas com apelo eleitoral para melhorar seus índices de popularidade, como a implementação do auxílio-gás e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, mas isso não aconteceu. Pelo contrário. As pesquisas até aqui apontam perda de prestígio do governo entre o eleitorado.
Além disso, o governo não consegue emplacar uma agenda positiva. Articula a votação do fim da escala de trabalho 6×1, tem insistido em temas da segurança pública (o Congresso aprovou o PL contra o crime organizado, batizado de Antifacção, e avança na PEC da Segurança Pública), mas é surpreendido por fatos novos.
A homenagem que o presidente Lula recebeu de uma escola de samba no Carnaval do Rio de Janeiro, com críticas ao setor evangélico, é apontada como um dos principais fatores da recente perda de votos.
“Lula tem um eleitorado cativo importante. É o único representante da esquerda na disputa. Portanto, aconteça o que acontecer, não obterá menos de 40% dos votos válidos. Flávio, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, também está bem posicionado. O desgaste pelo qual o Supremo passa hoje é imenso. Esse quadro contribui para que o discurso moderado antissistema da oposição seja bem recebido”, explica Noronha.

