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Geopolítica

Quem ganha e quem perde economicamente com o conflito no Oriente Médio?

Escalada entre potências pressiona energia, reorganiza investimentos e altera estratégias de empresas

Quem ganha e quem perde economicamente com o conflito no Oriente Médio?

A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã começou a produzir efeitos imediatos na economia internacional e nos mercados financeiros.

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O aumento da tensão na região provocou uma reorganização nos fluxos globais de capital e redesenhou a dinâmica de setores estratégicos da economia mundial.

A reação inicial dos mercados ocorreu após a disparada do petróleo, que subiu 22,9% logo após o início das hostilidades.

O movimento elevou a volatilidade nos mercados e ampliou o debate sobre quem ganha e quem perde com a nova configuração geopolítica. As informações são da Gazeta do Povo.

Exportadores de energia ampliam receitas com valorização do petróleo

Segundo a Forbes, entre os primeiros beneficiados pela nova dinâmica geopolítica estão os países exportadores de petróleo e gás.

A alta dos preços da energia amplia a entrada de divisas e melhora as contas públicas dessas economias. Dados da Energy Information Administration indicam que o Canadá registrou crescimento nas receitas de exportação de petróleo, que passaram de US$ 147 bilhões para US$ 155 bilhões em apenas um ano.

A Noruega também aparece entre os vencedores da nova conjuntura. O país europeu registrou aproximadamente US$ 44 bilhões em vendas externas de petróleo no período mais recente.

Segundo Luís Ferreira, CIO do EFG Private Wealth Management, a valorização das commodities energéticas fortalece o equilíbrio fiscal dessas economias. Ele afirma que “entram mais dólares e o quadro fiscal ganha tração”.

Potências militares e setor de defesa ganham espaço estratégico

Análise apresentada no videocast Fora da Ordem, da CNN Brasil, aponta que o confronto pode gerar vantagens indiretas para países como China e Rússia em determinadas frentes geopolíticas.

A China, por exemplo, observa atentamente o emprego de armamentos americanos e suas doutrinas militares, conhecimento considerado valioso em cenários de conflito envolvendo Taiwan.

A Rússia, por sua vez, tende a se beneficiar da redução da atenção estratégica dos Estados Unidos em outras frentes, como o apoio militar à Ucrânia.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos reforçam seu papel como potência global capaz de influenciar diretamente o equilíbrio regional no Oriente Médio.

Brasil vive cenário misto com ganhos

Para a Gazeta do Povo, na América Latina, o Brasil ocupa uma posição intermediária entre os vencedores e perdedores do novo cenário geopolítico.

O país se beneficia da valorização do petróleo, que amplia a arrecadação de royalties e melhora o saldo da balança comercial.

Projeções de bancos apontam que um aumento de US$ 10 no preço do barril pode acrescentar cerca de R$ 10,7 bilhões ao resultado fiscal.

Estimativas de instituições financeiras também indicam que o superávit comercial brasileiro pode crescer aproximadamente US$ 8,5 bilhões no ano.

Ao mesmo tempo, a valorização da energia gera pressões inflacionárias internas, elevando o custo de combustíveis e transportes.

Agricultura e cadeias logísticas enfrentam choque de custos

O agronegócio aparece entre os setores mais expostos aos efeitos indiretos da guerra. O Brasil depende fortemente de fertilizantes importados, com cerca de 35% da ureia adquirida de países ligados ao Oriente Médio.

Além disso, o Irã tornou-se um dos principais compradores de milho brasileiro, tendo importado mais de 9 milhões de toneladas do cereal em um único ano recente.

Uma eventual interrupção logística ou comercial pode alterar o equilíbrio da oferta interna e pressionar os preços agrícolas.

Especialistas também alertam para o impacto da alta da energia no custo do diesel, fator que influencia diretamente o transporte de insumos e alimentos.

Importadores de energia enfrentam risco de desaceleração econômica

Ainda segundo a Forbes, se exportadores de energia se beneficiam da valorização das commodities, economias dependentes de importações enfrentam desafios adicionais.

A China aparece entre os países mais vulneráveis, já que sua indústria depende de grandes volumes de petróleo importado.

Segundo o especialista Beny Fard, a economia chinesa se beneficiou durante décadas do acesso a energia mais barata proveniente do Irã. Ele afirma que “quem pode sair perdedor dessa história toda é a China”.

Estimativas de consultorias indicam que o aumento dos custos de importação de energia poderia adicionar mais de US$ 200 bilhões por ano às despesas chinesas caso o preço do barril se mantenha elevado.

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