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Economia

Falso emprego: brasileiros são vítimas de tráfico humano na Ásia

Alerta aponta 41 casos no sudeste asiático em 2024, 85% estão ligados a fraudes online

Falso emprego: brasileiros são vítimas de tráfico humano na Ásia

O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu um alerta sobre o aumento de casos de tráfico internacional de pessoas com fins de exploração laboral no Sudeste Asiático, ligados principalmente a falsas vagas de emprego divulgadas em redes sociais.

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Segundo o órgão, essas ofertas geralmente se apresentam como oportunidades em empresas de tecnologia da informação ou call centers, prometendo salários em dólar, comissões, passagens aéreas e hospedagem custeadas, exigindo atenção redobrada de brasileiros interessados em trabalhar fora do país.

Ao chegarem aos destinos, algumas vítimas relataram jornadas exaustivas, retenção de passaportes, restrição de liberdade, ameaças, violência e a obrigatoriedade de participar de golpes virtuais e outros esquemas ilícitos, práticas que configuram tráfico internacional de pessoas conforme a Lei nº 13.344/2016.

Marina Bernardes, coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes, alerta que o aliciamento geralmente se inicia com propostas aparentemente confiáveis.

“O tráfico de pessoas muitas vezes começa com uma promessa aparentemente legítima de trabalho. Quando a proposta envolve ganhos muito acima da média, contratação imediata e intermediação informal, é preciso desconfiar. Nenhuma oportunidade séria exige retenção de passaporte ou participação em atividades ilícitas”, explica.

Nos últimos meses, autoridades brasileiras observaram aumento de cidadãos migrando para países como Camboja e Mianmar em busca de emprego, principalmente em empresas de tecnologia. No entanto, parte dessas pessoas acabou submetida a longas jornadas, restrição de liberdade, abusos físicos e atividades ilícitas, reforçando os riscos de tráfico de pessoas.

O que dizem os dados?

Dados recentes apontam que, entre os casos registrados, 41 ocorreram em países do Sudeste Asiático, com destaque para Filipinas (20), Laos (11), Camboja (7), Mianmar (2) e Cingapura (1). Das vítimas identificadas em 2024, 26 eram homens (63,4%) e 15 mulheres (36,6%), em sua maioria jovens com conhecimentos em informática.

As propostas costumam oferecer salários competitivos, comissões sobre vendas, passagens aéreas e hospedagem custeadas.

A investigação indica que a maioria dos casos envolve fraudes online, com 35 ocorrências (85,4%). Foram registrados ainda 1 caso de trabalho em condições análogas à escravidão (2,4%), 4 casos de vítimas indiretas (9,8%) e 1 caso sem informações detalhadas (2,4%).

Como se desviar de falsas promessas de emprego?

O Ministério da Justiça e Segurança Pública reforça que a prevenção depende de informação, cautela e denúncia, e que o Estado atua de forma integrada para proteger vítimas e responsabilizar os envolvidos.

Para reduzir riscos, o governo recomenda que interessados em trabalhar no exterior adotem postura crítica frente a ofertas recebidas pela internet, desconfiando de salários elevados com pouca exigência, recrutamento exclusivo por redes sociais e envio de documentos pessoais sem verificação prévia.

É indicado confirmar a existência formal da empresa e buscar informações junto a embaixadas ou consulados antes da viagem. Quando a proposta parecer excessivamente vantajosa, a orientação é interromper o contato e recorrer a fontes oficiais.

Suspeitas de tráfico de pessoas podem ser denunciadas gratuitamente e de forma anônima pelo Disque 100, pelo Ligue 180, pelo sistema COMUNICA PF, além do Ministério Público, da Defensoria Pública ou de autoridades policiais. Brasileiros no exterior em situação de exploração ou risco devem procurar a embaixada ou consulado mais próximo ou acionar o plantão consular.

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