Publicidade
Geopolítica

Crise no Golfo tem vencedor fora do campo de batalha

Na busca por alternativas a Ásia, abre espaço para os EUA expandirem suas exportações de GNL

Crise no Golfo tem vencedor fora do campo de batalha

O verdadeiro vencedor da escalada de tensões entre Israel, Irã e Estados Unidos não se encontra no campo de batalha militar ou diplomático, mas no setor energético, onde exportadores norte-americanos de gás natural liquefeito (GNL) capitalizam a reorganização compulsória do suprimento mundial.

Publicidade

Com o bloqueio do Estreito de Ormuz e as investidas iranianas contra infraestruturas no Golfo Pérsico, decorrentes das ofensivas israelenses e estadunidenses, nações asiáticas dependentes dessa rota buscaram novos fornecedores, o que impulsionou a procura por combustível dos EUA.

O The Washington Post destaca que a administração de Donald Trump utiliza a escassez global para alavancar as exportações de energia, enquanto demanda medidas internacionais para liberar o tráfego marítimo. Em Tóquio, o secretário do Interior, Doug Burgum, oficializou compromissos energéticos que somam US$ 57 bilhões com parceiros asiáticos.

Defasagem asiática

Segundo declarações, Burgum afirmou que tal estratégia consolida a política de “domínio energético” estabelecida desde o início do atual governo. Essa guinada na conduta de países como Japão, Coreia do Sul e Taiwan sinaliza não apenas o reflexo da crise presente, mas também o efeito de pressões comerciais exercidas anteriormente por Washington.

O gás de origem americana, antes preterido pelo custo e complexidade logística, ganha mercado enquanto governos tentam mitigar déficits comerciais com os EUA e diversificar suas fontes, tendência que se acentua com a degradação da infraestrutura do Catar.

A fragilidade do mercado asiático manifesta vulnerabilidades específicas. Taiwan, centro de produção de mais de 90% dos semicondutores avançados do planeta, depende massivamente de energia externa e importa cerca de um terço de seu gás do Catar. Autoridades taiwanesas informaram que novos acordos com a Cheniere devem ampliar a fatia americana nas importações de 10% para 25% até 2029.

O ministro da Economia, Kung Ming-hsin, ratificou a expansão desses pactos, enquanto o congressista Kuan-ting Chen admitiu que a elevação de preços tornou-se uma consequência inevitável para garantir a segurança.

Impactos em outras nações

Camboja e Laos enfrentaram o fechamento de postos, ao passo que Filipinas e Tailândia implementaram racionamento por não conseguirem arcar com os preços do mercado à vista. Por outro lado, a China conseguiu suavizar os danos ao incrementar a produção interna e as compras da Rússia.

Pequim chegou a sugerir que uma “reunificação” asseguraria a estabilidade energética de Taiwan, ideia rechaçada por líderes locais.

Simultaneamente, vias alternativas para o transporte de GNL dos EUA pelo Pacífico são consideradas mais seguras por evitarem tanto o Estreito de Ormuz quanto as áreas de conflito no Mar do Sul da China. Segundo informações da Embaixada e Consulados dos EUA no Japão, esse reposicionamento no tabuleiro energético é sustentado por uma ofensiva diplomática coordenada.

O foco dos EUA

O Conselho Nacional de Domínio Energético lidera em Tóquio o Fórum Ministerial e Empresarial de Segurança Energética do Indo-Pacífico, congregando representantes de quase doze nações para ampliar investimentos e contratos regidos pela estratégia “América Primeiro”.

Burgum salientou que o foco consiste em ampliar as alianças e limitar o alcance de China e Rússia, enquanto o secretário de Energia, Chris Wright, pontuou que a exportação de recursos é o eixo central da diplomacia de Washington.

Autoridades como Lee Zeldin, advogado, político e oficial da reserva do exército estadunidense, reiteram que a soberania energética está intrinsecamente conectada à segurança nacional, defendendo a hegemonia americana como suprimento confiável na região.

O fórum ainda quer acelerar novos projetos e estruturas de cooperação, fixando os EUA como o maior produtor global e aliado estratégico perene.

Mais sobre o Oriente Médio em nossas redes sociais