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Economia

Os entregadores vão ganhar mais com a regulamentação do trabalho por aplicativos?

Proposta em debate envolve piso por corrida, novos custos e possível impacto na demanda

Os entregadores vão ganhar mais com a regulamentação do trabalho por aplicativos?

A proposta de regulamentação do trabalho por aplicativos voltou ao centro do debate em Brasília e trouxe uma pergunta direta para milhões de trabalhadores: os entregadores vão ganhar mais?

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A resposta, segundo especialista, depende menos do valor por entrega e mais do equilíbrio entre custos, demanda e regras finais do projeto.

O tema ganhou força porque envolve cerca de 1,7 milhão de pessoas no Brasil e um mercado bilionário, com impacto direto sobre renda, preços e funcionamento das plataformas.

O projeto ainda enfrenta divergências no Congresso, especialmente sobre a definição de uma taxa mínima por corrida.

Debate no Congresso

Segundo reportagem do O Brasilianista, o principal impasse está justamente no valor mínimo a ser pago por entrega.

O relator do projeto, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), propôs R$ 8,50, enquanto o governo defende R$ 10.

De acordo com Coutinho, o desafio é adaptar a regra à realidade do país. “Precisamos de um valor que faça sentido para as diferentes realidades do Brasil”, afirmou.

A proposta também inclui contribuição previdenciária, maior transparência nos pagamentos e mecanismos de proteção ao trabalhador.

Avaliação da especialista

Bruna Alves, especialista em planejamento financeiro, afirma que a regulamentação pode organizar o setor, mas não garante aumento direto de renda.

“A princípio não, justamente porque as plataformas devem repassar um valor menor devido ao aumento das tarifas justificado pelo aumento dos custos associados aos gastos com os impostos e serviços burocráticos”, afirma.

Ela destaca que a medida pode trazer benefícios estruturais, mas com efeitos financeiros mais complexos.

Mudanças na estrutura

Bruna explica que a regulamentação tende a alterar o funcionamento das plataformas. “A regularização do transporte por aplicativos terá benefícios principalmente referente à segurança jurídica e formalização de custos”, destaca.

Segundo ela, o projeto mantém o modelo de trabalhador autônomo, sem vínculo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o que preserva a flexibilidade das plataformas.

Pressão de custos

A especialista aponta que o principal efeito econômico será o aumento de encargos. “As plataformas deverão recolher encargos como empregadoras, incidindo sobre a remuneração dos motoristas”, explica.

Ela afirma que essa cobrança pode variar entre 25% e 30% do valor das corridas, além da incidência de novos tributos previstos na reforma tributária.

Renda na prática

Bruna avalia que o aumento do valor por entrega não garante ganho maior no fim do mês. “Para os motoristas, a regulamentação pode diminuir o ganho líquido imediato devido ao aumento dos custos operacionais e tributários”, afirma.

Isso acontece porque a renda total depende do número de corridas realizadas, que pode cair caso o serviço fique mais caro. Com menos demanda, o volume de trabalho tende a diminuir.

Impacto no consumidor

Outro efeito relevante está no preço final das entregas. Bruna destaca que o custo adicional pode ser repassado ao cliente.

“Para o consumidor o impacto econômico poderá ocorrer no aumento das tarifas e preço final”, afirma. Esse movimento pode reduzir o número de pedidos, afetando diretamente o faturamento dos entregadores.

Visão de quem trabalha

Kauan Domingos, entregador que atua em plataformas, afirma que o impacto depende da forma como a regulamentação será aplicada. “Acredito que depende muito da regulamentação”, afirma.

Ele explica que muitos trabalhadores migraram para os aplicativos em busca de autonomia. “A maioria largou o CLT para ter mais controle sobre o próprio trabalho”, destaca.

Possíveis ganhos

Na visão do entregador, o aumento da taxa mínima pode trazer melhora imediata. “Hoje a taxa mínima está em 7 reais, o que ainda é muito pouco para tudo que o entregador passa”, afirma.

Ele projeta que a mudança pode elevar a renda mensal. “Com esse aumento, chegaria a no mínimo 1.700 a 2 mil”, explica.

Problemas operacionais

Kauan também aponta falhas no modelo atual que impactam diretamente o ganho. “As corridas agrupadas são uma das opções mais frustrantes”, afirma.

Segundo ele, esse formato reduz a remuneração por entrega e aumenta o tempo de trabalho sem compensação proporcional.

Outro ponto citado é a falta de transparência nos aplicativos. “Muitas vezes o aplicativo ‘multa’ o entregador sem explicar o motivo”, diz.

Equilíbrio delicado

Bruna reforça que o desafio da regulamentação está em equilibrar proteção social e viabilidade econômica.

“A regularização terá benefícios tanto para as empresas quanto para os motoristas e consumidores”, afirma. Ela destaca que a definição clara de direitos e deveres pode trazer mais segurança para o setor.

Cenário aberto

Apesar dos avanços, o projeto ainda enfrenta divergências e pode sofrer mudanças até a aprovação final. O tema envolve interesses distintos e exige negociação entre governo, empresas e trabalhadores.

Kauan resume o impasse ao avaliar o resultado possível. “Dependendo da taxação, pode acabar ficando no 0x0”, afirma.

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