A pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência da República deve ganhar um novo capítulo em abril, com a apresentação de um programa econômico centrado na diminuição da presença do Estado na economia. O documento, que tem lançamento previsto para o dia 16 em São Paulo, reúne propostas voltadas à flexibilização das regras trabalhistas, revisão de gastos públicos e ampliação de políticas liberais.
Segundo a Folha de S. Paulo, o plano traz como uma das principais medidas a possibilidade de pagamento por hora sem limitação de jornada. A proposta vem acompanhada da retirada de encargos sobre a folha de pagamento, com o objetivo de reduzir custos para empresas e alterar o modelo atual de contratação no país.
A iniciativa se insere em uma linha mais ampla de flexibilização das relações de trabalho, defendida pelo grupo responsável pela elaboração do programa. A ideia é permitir acordos mais livres entre empregadores e trabalhadores, dentro de um cenário de menor intervenção estatal.
Redução de custos e estrutura pública
A coordenação do plano econômico está nas mãos do empresário Carlos da Costa, que integrou a equipe do ex-ministro Paulo Guedes. A diretriz central, segundo ele, é diminuir o chamado custo Brasil, com foco na simplificação de impostos, redução de entraves regulatórios e diminuição do custo de capital.
No campo fiscal, o documento prevê cortes amplos nos gastos públicos e uma reestruturação da máquina administrativa federal. Entre as medidas discutidas está a redução no número de ministérios e a revisão de despesas consideradas não prioritárias.
Outro ponto relevante é a proposta de privatização de estatais federais. A ideia inclui empresas de grande porte, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. A venda desses ativos é vista pela equipe como uma forma de reduzir a dívida pública e reorganizar as contas do governo.
Mudanças em previdência e impostos
O plano também aborda o sistema previdenciário, com a proposta de criar mecanismos de ajuste contínuo. A intenção é evitar reformas pontuais ao longo dos anos, permitindo adaptações automáticas conforme mudanças demográficas, como o envelhecimento da população.
Na área tributária, uma das medidas previstas é a ampliação do limite de faturamento para adesão ao Simples Nacional. Atualmente fixado em R$ 4,8 milhões anuais, o teto poderia ser elevado para incluir um número maior de empresas no regime simplificado, reduzindo a carga burocrática e tributária para pequenos e médios negócios.
A proposta tem como objetivo facilitar o ambiente de negócios e estimular o crescimento de empresas que hoje ficam fora desse enquadramento por ultrapassarem o limite vigente.
Abertura comercial e relações exteriores
Na política externa, o programa sinaliza para uma maior abertura econômica. A pré-candidatura defende a ampliação de acordos comerciais e maior integração do Brasil ao mercado internacional.
Dentro desse contexto, o Mercosul aparece como peça-chave para a expansão dessas parcerias. A estratégia inclui negociar novos acordos e revisar barreiras que dificultam a competitividade de produtos brasileiros no exterior.
A proposta busca inserir o país de forma mais ativa no comércio global, com foco no aumento das exportações e na atração de investimentos estrangeiros.

