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Economia

UE está sofrendo com a guerra e a culpa pode ser de Trump, aponta relatório

Análise aponta para economias a beira do colapso na Colômbia, Líbia, Myanmar e Sudão do Sul, que são de interesse do bloco econômico

UE está sofrendo com a guerra e a culpa pode ser de Trump, aponta relatório

O cenário econômico mundial enfrentou uma fase de extrema instabilidade no início de 2026. De acordo com o relatório EU Watch List do International Crisis Group, o início de um conflito armado entre Estados Unidos, Israel e Irã se tornou o epicentro de uma crise que ameaça a prosperidade e a segurança financeira da Europa e de outros países.

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A principal preocupação da União Europeia (UE) está na disparada dos preços de energia. O documento detalha que o bloqueio iraniano ao Estreito de Ormuz, está “castigando severamente” as economias europeias, que já se encontravam em estado de fragilidade. A análise aponta a vulnerabilidade do bloco como superior a de seus principais competidores:

Estados Unidos: mantém como exportadores líquidos de petróleo, o que amortece o impacto interno.

China: possui reservas e pode ter negociado a passagem segura de suas embarcações pelo estreito.

Europa: países como a Itália estão enfrentando crises agudas, já que dependem do Catar para até 30% de seu fornecimento de Gás Natural Liquefeito (GNL).

As autoridades catarianas, inclusive, preveem que a reparação das infraestruturas de gás danificadas pela guerra pode levar até cinco anos para ser reparada.

Países de interesse da UE

Para além da crise transatlântica, há desafios econômicos específicos em outras regiões do mundo tem chamado a atenção e são de interesse da União Europeia. Na Colômbia, por exemplo, o International Crisis Group destaca que o narcotráfico continua sendo o motor financeiro de grupos armados, que disputam rotas e recursos ilícitos.

O documento ainda cita que a UE pretende utilizar mecanismos como o Global Gateway para financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento rural, buscando oferecer alternativas econômicas às populações vulneráveis.

Já a economia da Líbia sofre com a má gestão pública e o excesso de gastos, que exaurem o tesouro dependente de hidrocarbonetos. Mecanismos de financiamento paralelos no leste do país estão drenando as reservas de moeda estrangeira, isso força o Banco Central a desvalorizar o dinar (moeda oficial da Líbia).

Além disso, o Crisis Group descreve um esquema bilionário do país de contrabando de combustível subsidiado. Ou seja, enquanto o óleo custa cerca de US$ 0,02 na Líbia, ele chega a US$ 2,00 na Europa, gerando lucros enormes para redes criminosas.

O Myanmar é o maior produtor de heroína e uma fonte que domina as drogas sintéticas. O relatório também alerta para centros de golpes online que geram dezenas de bilhões de dólares anualmente.

No campo formal, a manutenção das preferências tarifárias da UE é considerada vital para preservar centenas de milhares de empregos na indústria têxtil, composta majoritariamente por mulheres jovens.

Sudão do Sul

O país enfrenta colapso econômico e declínio considerado severo. Os cofres públicos estão vazios e os salários irregulares que levam à deserção de tropas.

De acordo com o documento, a assistência humanitária da UE é um dos poucos suportes financeiros restantes, embora os fundos globais para o país tenham atingido o nível mais baixo desde 2011.

Guerra Russo-ucraniana

A instabilidade no Oriente Médio afeta também diretamente nas finanças do conflito no Leste Europeu. O relatório mostra que a alta nos preços energéticos e a decisão de Washington de flexibilizar temporariamente as sanções contra o petróleo russo, numa tentativa de estabilizar os mercados, acabam ajudando o caixa de Moscou.

Conforme explica o Crisis Group, esse fluxo financeiro ajuda a Rússia a custear sua campanha militar na Ucrânia e mitiga os efeitos da pressão econômica exercida pela Europa.

A culpa é do Trump?

De acordo com o relatório do International Crisis Group, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é descrito como o principal culpado da instabilidade econômica e de segurança que atinge a Europa em 2026.

Segundo o documento, a transição de um ceticismo inicial sobre intervenções estrangeiras para a adoção aberta de ações militares por parte de Washington forçou os aliados europeus a lidarem com as consequências de decisões tomadas sem a sua consulta.

Essa política externa, conforme o relatório, “desvinculada” de normas internacionais gerou choques profundos na ordem global impactando diretamente os mercados energéticos e a autonomia financeira da União Europeia.

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