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Economia

Recuperações judiciais no agro crescem, mas número pode ser ainda maior

Levantamento indica 700 pedidos, mas especialista alerta que o número pode ser maior já que boa parte dos produtores rurais são pessoas físicas

Recuperações judiciais no agro crescem, mas número pode ser ainda maior

O avanço dos pedidos de recuperação judicial no país voltou ao centro do debate econômico após novos dados divulgados pela Serasa Experian. Segundo a empresa, 2025 registrou cerca de 977 processos, um aumento de 5,5% em relação a 2024. Além disso esse é o maior volume já registrado desde 2016. No período, 2.466 empresas (CNPJs) estiveram envolvidas, uma alta de 13% e recorde da série.

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O Brasilianista explica que a recuperação judicial é um instrumento previsto em lei que permite a empresas em crise financeira renegociar dívidas com credores com a supervisão da Justiça e com o objetivo de evitar a falência e manter as operações. Caso o plano não seja cumprido, a companhia pode ter a falência decretada.

Na análise mensal, o volume de processos permaneceu acima da média histórica dos últimos anos, indicando maior uso do mecanismo. Pela ótica das empresas envolvidas, o movimento também superou o padrão de longo prazo, o que sinaliza pressão sobre o caixa das companhias, principalmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito.

Para Max Mustrangi, especialista em reestruturação de empresas, e CEO da Excellance, na prática, as empresas enfrentam uma combinação de dificuldades, como a restrição de crédito, problemas de gestão e o alto nível de endividamento da população, que reduz o consumo e pressiona as margens.

Para ele, os juros não são a causa principal do aumento dos pedidos de recuperação judicial, mas sim um reflexo desse cenário.

Pessoas físicas podem ser as mais atingidas

Mas, os números podem não refletir totalmente a realidade, principalmente no agronegócio. Os dados divulgados pelo Serasa apontam apenas o aumento para CNPJ e não por CPF, o que muda bastante a realidade dos números.

“Os dados divulgados estão falando especificamente de CNPJs, mas não podemos esquecer que hoje em dia grande parte das RJs no agro são pessoas físicas, CPFs, que é o produtor rural pequeno. Nas informações, eles citam que em CNPJ no agronegócio foram um pouco mais de 700 pedidos, quando já havia sido divulgado que o número de pedidos do RJ no agro em 2025 foi 1990. Porque toda essa diferença é CPF”, afirma o especialista.

O levantamento do Serasa ainda apontou que a agropecuária respondeu por 30,1% dos CNPJs em recuperação judicial em 2025, seguida por serviços, com 30%. Comércio (21,7%) e indústria (18,2%) aparecem na sequência. O desempenho do setor agropecuário está associado a fatores estruturais.

A agropecuária opera sob um conjunto de riscos climáticos e biológicos como, estiagens, excesso de chuva, geadas, pragas e doenças. Isso soma choques de preços de commodities, insumos dolarizados como, fertilizantes e defensivos, exposição cambial e um ciclo financeiro mais longo de safra–entressafra, que amplifica a volatilidade de receita e caixa.

“A falta de crédito no mercado, gestões ruins, que optaram por investir em movimentos que não trouxeram o retorno esperado e o alto endividamento da população, que acaba comprando menos e reduz a margem do mercado, são alguns dos principais vilões desse momento de tanta instabilidade”, explica Mustrangi.

Segundo o especialista, isso evidencia um cenário crítico, com tendência de agravamento e de aumento constante dos índices de RJs e REJs. Ele ressalta ainda a importância de compreender a recente mudança de metodologia na base de dados, adotada após mais de quinze anos, já que isso pode gerar informações que retratem apenas parcialmente a realidade.

Para ele, em cenários diversos, esses fatores comprimem margens e a capacidade de pagamento ao longo de toda a cadeia, do produtor à armazenagem, logística, agroindústria e tradings, crescendo a necessidade de renegociação de passivos e tornando a recuperação judicial um instrumento para preservar operação e emprego.

Falência

Enquanto os pedidos de recuperação judicial avançaram, os de falência apresentaram queda. Cerca de 698 empresas tiveram pedidos de falência em 2025, número 19% menor que o registrado em 2024.

A redução está associada à adoção de alternativas mais eficazes de negociação e cobrança de dívidas, o que diminuiu o uso da falência como instrumento por credores.

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