O principal objetivo de guerra do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, era negar ao Irã a capacidade de desenvolver uma arma nuclear. No entanto, esse arsenal era algo que o Irã afirmou nunca ter planejado fazer.
Desde o início dos ataques, em fevereiro, porém, cresce o temor de uma possível corrida por aumentar os armamentos nucleares em todo o mundo, em especial no Oriente Médio. As informações são da BBC.
Especialistas em proliferação nuclear ouvidos pelo periódico acreditam que os governos podem buscar o desenvolvimento de uma bomba atômica para impedir uma eventual agressão, em detrimento da diplomacia ou armas convencionais. O arsenal nuclear seria uma espécie de salvaguarda contra ataques de adversários poderosos.
O cenário é avaliado em meio às incertezas que os EUA mostraram em relação a capacidade de garantir a segurança de aliados, em especial aqueles no Oriente Médio. Por isso, os países podem impulsionar a criação de armas nucleares para não depender da proteção americana.
Vale lembrar que o Irã foi atacado no ano passado enquanto organizava negociações de seu programa nuclear. Em 2026, os novos ataques começaram e foram justificados por novamente ocorrerem negociações iranianas.
Objetivo da guerra não foi atingido
Segundo a BBC, impedir o arsenal nuclear do Irã já era um objetivo dos EUA há muitos anos. O republicano avaliava que o acordo nuclear global com o Irã, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) — intermediado pelo ex-presidente americano Barack Obama — era muito fraco.
Além disso, Trump declarou que tinha a intenção de fazer uma mudança de regime no Irã. Em vídeo anunciando a guerra, ele convocou os iranianos a assumirem o controle do governo quando os bombardeios EUA-Israel terminassem.
Porém, a “rendição incondicional” dos líderes iranianos não aconteceu, mesmo com o assassinato do Líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Isso porque seu filho, Mojtaba, foi nomeado como sucessor.
Ainda de acordo com a BBC, Trump afirmou que a nova liderança é menos “radicalizada e muito mais inteligente” do que seus antecessores. No entanto, sua intenção era repetir o ataque de Washington à Venezuela, em que conseguiu capturar o presidente Nicolás Maduro e ter maior controle sobre a política e economia do país sul-americano.
Em meio ao cessar-fogo temporário e frágil, segundo a BBC há poucas evidências de qualquer resultado significativo para Trump na questão nuclear.
Apesar dos bombardeios a instalações nucleares no Irã, o país segue com um estoque significativo de urânio enriquecido próximo ao grau de pureza necessário para armas nucleares. A hipótese é de que esse elemento esteja escondido em cilindros de gás sob os escombros.
O Irã realmente tem — ou está prestes a ter — uma bomba nuclear?
A resposta curta, segundo relatórios de inteligência ocidentais e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), é que não há evidência de que o país possua uma arma nuclear operacional.
De acordo com o UOL, a suspeita de que Teerã possa estar próximo de desenvolver uma arma atômica tem sido usada como justificativa para ações militares e pressão diplomática, mas relatórios recentes de organismos internacionais e da inteligência ocidental indicam que o país não possui tal bomba.
No entanto, a resposta definitiva para essa pergunta é bem mais longa e complexa: envolvendo décadas de história, tecnologia sensível, disputas estratégicas e até mesmo reafirmação de poder.Confira mais nesta matéria do O Brasilianista.

