Publicidade
Justiça

Processo de recuperação judicial de produtores agrícolas terá nova estrutura de análise

Os magistrados contarão com mais informações entre os documentos necessários para avaliar a condição financeira das empresas

Processo de recuperação judicial de produtores agrícolas terá nova estrutura de análise

As decisões sobre recuperações judiciais de produtores rurais deve contar com novos recursos para análise a partir de uma nova parceria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Corregedoria Nacional de Justiça com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Publicidade

O acordo, firmado na última terça-feira (14) prevê integração na infraestrutura de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos (VMG) aos processos de recuperação judicial de produtores rurais, ampliando a precisão técnica e fortalecendo a segurança jurídica nas decisões judiciais.

Segundo o CNJ, na prática, os atestados de Verificação Agrícola, Monitoramento e Conformidade de Grãos oferecem dados técnicos sobre os estabelecimentos rurais, garantindo aos magistrados maior transparência e segurança nas decisões. O documento ainda contribui para a proteção do produtor rural e para a celeridade processual.

Nesse sentido, a parceria vai acelerar e melhorar o fornecimento de dados para subsidiar a constatação prévia. Vale lembrar que o VGM é uma diretriz a serem observadas por juízas e juízes em casos de recuperação judicial e falência de produtor rural, conforme o Provimento n. 216/2026.

A partir da cooperação, será possível até mesmo verificar a situação socioambiental das propriedades rurais.

Mudanças no pedido de crédito a produtores rurais

Conforme indicou O Brasilianista, passou a valer a partir do dia 1º de abril uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) publicada no ano passado, Resolução do CMN nº 5.268/2025, que classificou o Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes) como critério para o produtor acessar o crédito rural.

Segundo o texto, a instituição financeira que estiver realizando a análise para concessão de crédito deve verificar se houve supressão da vegetação nativa após 31 de julho de 2019 no imóvel rural onde será conduzido o empreendimento, por meio de consulta às informações obtidas e disponibilizadas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a partir da base de dados do Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

A exigência teve início neste ano em imóveis com área superior a quatro módulos fiscais, enquanto a mudança será implementada somente em janeiro de 2027 para imóveis com área de até quatro módulos fiscais.

Porém, para os agricultores, a nova medida passou a ser um problema para conquistar crédito, muitas vezes, essencial para a produção. Isso porque o sistema é uma ferramenta de monitoramento de alteração do uso do solo que não tem a função de julgar se o desmatamento é legal ou ilegal.

Ou seja, quando o sistema Prodes observar qualquer alteração na vegetação do imóvel — seja de forma ilegal ou legal — a instituição financeira fica impedida de garantir créditos.

De acordo com a Revista Cultivar, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), preocupada com a nova resolução, está promovendo ações para divulgar as informações e se disponibilizando para orientar os agricultores e os bancários.

Buscando evitar o bloqueio de crédito rural por interpretações inadequadas do monitoramento, o vice-presidente da Aprosoja MT, Luiz Pedro Bier, participou de reuniões com bancários de todo o estado para esclarecer sobre o uso do Prodes.

O objetivo é assegurar que o produtor que trabalha dentro da legalidade não seja penalizado por inconsistências ou interpretações inadequadas de desmatamento, mantendo o fluxo de crédito essencial para a atividade agrícola.

Veja mais notícias do O Brasilianista nas redes sociais